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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

EUA, (mais uma vez) fazem uma chamada às armas

"Um cessar-fogo que mantenha o status quo intacto, é absolutamente inaceitável. Um cessar-fogo que deixe intacta, alguma infra-estrutura terrorista, é inaceitável." - Tony Snow, Porta-voz da Casa Branca, 18/7/2006 (ver "O imperialismo Americano quer guerra")

 

Uma coisa parece estar clara neste momento, no que toca às acções de Israel, é serem os Estados Unidos quem manobra. Eu julgo que isto faz calar todos os indivíduos iludidos da "esquerda", que subscrevem a ideia falaciosa usualmente chamada de "a cauda a abanar o cão".

 

Que ninguém se iluda sobre quem está a manobrar os fios.

 

"Os EUA estão a dar a Israel uma janela de uma semana para infligir o máximo de danos ao Hezbollah, antes de dar o sim os apelos internacionais para um cessar-fogo no Líbano, de acordo com fontes Britânicas, Europeias e Israelitas."

 

“A administração Bush, apoiada pela Grã-Bretanha, bloqueou as tentativas de uma imediata paragem dos combates, iniciadas no Conselho de Segurança da ONU, na cimeira do G8 em S.Petersburgo e pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros Europeus.”

 

“É claro que os Americanos deram a luz verde aos Israelitas. Eles [os ataques Israelitas] serão permitidos durante talvez mais uma semana", disse ontem um oficial responsável Europeu. Fontes diplomáticas disseram que havia um claro limite temporal, parcialmente ditado pelo medo que um conflito prolongado pudesse descontrolar-se" - "Bush deu 'luz verde' a um ataque limitado, dizem fontes do Reino Unido e de Israel", jornal "The Guardian", 17/7/2006

 

Falhanço no Iraque, falhanço nos Territórios Ocupados e falhanço no Afeganistão levaram inevitavelmente à única opção que sobrava ao imperialismo Americano, a total desestabilização do Médio Oriente.

 

Os EUA, incapazes de levar isto a cabo por si próprios ou com os seus chamados aliados, deram instruções a Israel para fazer o trabalho sujo, em vez deles. Uma missão que estão demasiado dispostos a cumprir, e que falharam duas vezes.

 

Estando de fora, temos de nos questionar que motivações levaram o Hezbollah a confrontar Israel neste momento crítico. No melhor dos casos, terá sido apenas um mau planeamento, no pior, será pouco credível sugerir que o Hezbollah esteja infiltrado com agentes provocadores? No fundo, eles deram uma desculpa para atacar aos EUA e a Israel. (Isto pode não ser uma ideia assim tão rebuscada, vejam "Página da internet do Hezbollah alojada numa empresa subcontratada da defesa dos EUA?”, para saberem mais).

 

Seja como for, a criação do caos total permite aos EUA - habilmente apoiados pelos grandes meios de comunicação, um pré-requisito absoluto, se for para levar as populações internas numa histeria à volta das alegadas "infra-estruturas terroristas", para não mencionar o apoio cego dado ao estado Sionista - em primeiro lugar, destruir o obstáculo que faltava para resolver o "problema Palestiniano".

 

Isto deixa a Síria totalmente isolada e sem força suficiente para a máquina militar Israelita. Quanto tempo faltará para que ceda às exigências dos EUA ou arrisque a invasão? E quem é que vai vir a correr, ajudar a Síria? O Irão? Nem sonhem.

 

Isto explica o porquê dos EUA e Reino Unido estarem essencialmente a dizer, "continuem a bombardear até não restar mais nada do Líbano". Por que outra razão está Israel a destruir a capacidade industrial do Líbano, incluindo a produção fulcral de alimentos e medicamentos, tendo já destruído a sua infra-estrutura de transporte?

 

"Israel mudou de linha na sua campanha militar contra o Líbano na Segunda e Terça-Feira, lançando uma série ataques aéreos debilitantes contra fábricas de propriedade privada por todo o país, provocando um choque devastador a uma economia já de si paralisada por uma semana de ataques a zonas residenciais e infra-estruturas cruciais.

As instalações de produção, de pelo menos cinco empresas em sectores chave, incluindo a maior quinta de produção de leite do país, a Liban Lait, uma fábrica de produção de papel, uma firma de embalagem e uma indústria farmacêutica, foram desactivadas ou completamente destruídas. Fontes da indústria dizem que estas perdas irão afectar a economia nas próximas décadas.” -Os últimos alvos dos ataques aéreos: leite e medicamentos, por Lysandra Ohrstrom, do jornal “Daily Star”, 19/7/2006

 

Não há maneira de descrever isto como “infra-estruturas terroristas”! O objectivo é claro: reduzir o Líbano a um “estado falhado”. Sem dúvida, num curto prazo, o governo Libanês irá colapsar e será instalado um “protectorado”, como no Kosovo, que é onde a UE e a NATO podem ser usados.

 

Isto vai deixar o Hezbollah completamente isolado. Só vai faltar uma operação de “limpeza” nos Territórios Ocupados. Assim que o “problema” Palestiniano for resolvido, o foco passará a ser o Irão. Pelo menos é esta a teoria.

Nesta crise, a única coisa que pode inibir este terrível cenário, é a população da Europa e dos Estados Unidos, e parece haver pouca probabilidade de isso acontecer.

 

Ver também Israel — O mensageiro mortífero da América, por Shmuel Rosner 19/7/06

 

 

 

Texto de William Bowles, publicado a 19/7/2006 em  http://www.williambowles.info/ini/2006/0706/ini-0438.html, e traduzido por Alexandre Leite.

 

 

publicado por Alexandre Leite às 14:11

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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

Morte de Jean Charles de Menezes

“Não há nada de patriótico em pretender amar o nosso país mas desprezar o nosso governo.” Presidente Bill Clinton

 

À medida que mais informação vem à tona, sobre as circunstâncias do assassinato do infeliz Brasileiro, fica bastante claro que desde o momento em que ele saiu do seu apartamento em Tulse Hill, para ir para o seu trabalho como electricista, era um homem morto.

Muito provavelmente, o verdadeiro cenário foi o seguinte:

O bloco de apartamentos está sob vigilância de uma equipa da polícia, com base, sem dúvida, em “informações recebidas”.

Menezes deixa o apartamento, vai até à paragem e apanha o autocarro para a estação de metro de Stockwell. É seguido pela equipa de vigilância da polícia, quando entra na estação e, ao contrário do que a polícia diz, ele não salta o torniquete mas usa o seu bilhete para passar no torniquete.

Neste ponto, uma equipa à paisana toma conta e segue Menezes até ao interior da estação. Menezes vai até à plataforma da Northern Line, onde está uma composição com as portas abertas.

Menezes corre para tentar ainda apanhar esse metro. A polícia segue-o de perto. Menezes tropeça ao entrar na carruagem. A polícia entra também, salta-lhe em cima e desfere-lhe o golpe final, sete tiros na cabeça e um no ombro.

Indubitavelmente, a isto seguiu-se uma comunicação triunfal para o seu superior, “Apanhámo-lo chefe!”. Mais um “terrorista” morto.

A partir daqui, foi sempre a piorar, para os polícias. Na identificação, aperceberam-se que o seu “terrorista islâmico” é de facto, um Brasileiro. Uuups! Grande asneirada. O que fazer?

Entretanto, o comissário da polícia de Londres, Blair “da Yard” [da Scotland Yard – polícia de investigação britâncica], na sua pressa em reivindicar um sucesso (mais um passo no seu caminho para atingir uma distinção por “serviços prestados à pátria”, sem dúvida), já anunciou que Menezes está definitivamente “ligado directamente à rede terrorista”.

O problema agora é, como encobrir a asneira? Deste ponto em diante, essa tarefa foi indo por água abaixo.

De forma a justificar o assassinato de Menezes, é necessário “massajar” os factos de forma a conseguir encaixá-los no crime.

Passo 1: Dizer que ele vestia um casaco comprido, num dia quente de verão, quando, de facto, ele levava vestido um casaco de ganga leve. Muito suspeito, pois debaixo do casaco comprido podia estar escondida uma bomba. Para além disso, insinuam que o seu comportamento era “suspeito”

 

Passo 2: Em vez de ter passado normalmente pelo torniquete da estação, a polícia alega que ele saltou por cima do torniquete, para entrar na estação. Claro que agora, no cenário deixado pela “Operação Kratos”, a polícia tem “licença para matar”.

 

Passo 3: Neste momento, a “brigada especial” toma conta, e segue-o até à plataforma da estação. A partir deste ponto e até ao momento em que entra na carruagem, os acontecimentos são de certa forma, conjecturados. Muito provavelmente, uma vez na plataforma, Menezes foi avisado para parar (versão da polícia) e foi perseguido pela brigada, com armas em riste. Compreensivelmente, ao ver-se perseguido por três homens armados, não identificados, Menezes foge. Ou então, ao ver a carruagem na estação, ele corre para tentar entrar antes das portas fecharem, tropeça na entrada e é seguido pela tal brigada.

Passo 4: De qualquer das formas ele é perseguido por três homens que, de acordo com Whitby, uma das testemunhas, “lhe saltaram em cima” e dispararam várias balas, à queima-roupa (Whitby disse cinco, outra testemunha disse três, mas de facto, de acordo com a polícia, foram oito). De uma ou de outra forma, Menezes morreu.

Sem dúvida que a primeira acção da brigada especial terá sido, comunicar aos seus superiores que o suspeito tinha sido “neutralizado”. Nesta altura, devido à sua pele escura, ainda se assumia que Menezes fosse um “Asiático”. Fosse ele, de facto, um Asiático e sem dúvida que a história elaborada pelas autoridades seria algo diferente. Dada a atmosfera de histeria criada à volta dos acontecimentos de 7 de Julho e do dia anterior à morte de Menezes, o desafortunado falecimento do “homem Asiático”, seria “lamentável” mas compreensível. E, no fundo, quem se interessa que um estranho Asiático bata as botas? A compreensão iria para a polícia que, de qualquer forma, está “sob grande tensão”.

Entretanto, o Blair “da Yard” aparece a anunciar ao mundo que a vítima estava “de certeza ligada directamente à rede terrorista”. Este foi o primeiro de vários erros cometidos pelo estado, que, sem dúvida, forçou a invenção da história que foi depois libertada para a imprensa.

Foi chegada a altura de uma “engenharia reversa”, daí o “casaco comprido”, o “saltar o torniquete”, o seu “comportamento suspeito”, levando à necessidade do uso de força letal para “proteger a vida de pessoas inocentes”.

Finalmente, foi revelada a política de “atirar a matar” da Operação Kratos, de forma a retirar a culpa à asneirada da polícia. Blair e companhia ficam assim, em teoria, inatacáveis, protegidos pela capa da “política”. A campanha de propaganda aparece na altura certa.

Aparece o primeiro de muitos artigos de desinformação, nomeadamente o de que ele poderia ser um “estrangeiro ilegal”, justificando assim a sua fuga da policia, numa tentativa de justificar o assassinato. O Ministério do Interior [Home Office] publicou inicialmente um rigoroso desmentido e condenou, de forma clara, a especulação da imprensa sobre o estatuto de Menezes, mas isto claro, em linha com a táctica de quanto mais “palha” melhor. A ideia é semeada nas mentes do público independentemente dos desmentidos oficiais.

O estatuto de Menezes passa por uma série de revisões durante essa semana, com mais uma história insinuando que o carimbo do seu passaporte é “falso”. O Ministério do Interior recusa comentar. Apesar de tudo, na globalidade, a impressão passada para o público é que alguma coisa não batia certo, em relação a Menezes. Tudo a alimentar a máquina da propaganda. Os principais meios de comunicação apressam-se a defender os actos da polícia, num total alinhamento com a política oficial, num assassinato consentido pelo estado.

As testemunhas do assassinato desaparecem completamente. Não há mais entrevistas da nossa intrépida imprensa. Uma breve nota de imprensa é emitida pelo sindicato RMT, dizendo que o condutor do metro, que compreensivelmente fugiu, como toda a gente, quando foram disparados os tiros, foi perseguido pela polícia e teve uma arma apontada à cabeça, antes de ser libertado (fico a pensar, seria ele “escuro”?). Telefonei para o RMT e disseram-me que o condutor era, na realidade, membro do ASLEF, o outro sindicato dos trabalhadores dos transportes. A única reportagem que encontrei sobre isto foi no jornal Morning Star. Tentei falar com o gabinete de imprensa do ASLEF, mas sem sucesso. Pelo que sei, o ASLEF não comentou o acontecimento e não há menção nenhuma ao caso, na página da internet do ASLEF. Também, é apenas uma história paralela à “guerra ao terrorismo”.

Com o passar dos dias, emerge finalmente que a história divulgada pela polícia sobre os acontecimentos que levaram à morte de Menezes, é de alguma forma irrelevante, mas agora a propaganda em defesa do governo já vai a velocidade de cruzeiro e os verdadeiros factos desaparecem sob um manto de justificações divulgadas pela polícia e pelo governo. Principalmente a política de “atirar a matar”. É necessário disparar primeiro e talvez fazer perguntas depois, mas em qualquer caso, o estado não tem outra escolha para além de instituir tal política, dada a natureza da ameaça, bombistas suicidas, que têm de ser abatidos antes de fazerem explodir as suas bombas.

No entanto, gostaria de fazer alguns reparos à táctica do governo, que mostram algumas falhas graves nos cálculos governamentais, que se cruzam com o desastroso falecimento de Menezes.

Em primeiro lugar, parece claro que à medida que a situação vai de mal a pior no Iraque, se revelou o desastre estratégico que é a “guerra ao terrorismo”, da qual a aliança EUA/RU provavelmente não recuperará. Todas as tentativas de arrastar os outros estados capitalistas para o mesmo barco, falharam redondamente. Por isso, a cada dia que passa, a “coligação mortífera” vê-se cada vez mais isolada, e o mais perigoso, cada vez mais desesperada. Aqueles que desdenham a ideia que os acontecimentos de 7/7 foram realmente instigados pelos serviços de segurança do “Eixo do Terror”, os EUA, o RU e Israel, precisam de ter esta realidade em atenção. Esqueçam as fotografias alegadamente forjadas, imagens retocadas e coisas assim.

E se forem necessárias provas disto, apenas precisamos de reparar na mudança de rumo anunciada esta semana: adeus “guerra ao terrorismo”, olá “guerra ao extremismo violento”. Extremismo, é claramente uma definição mais vaga e abrangente do que “terrorismo”. Com certeza, esta mudança na táctica é pensada para nos prepara para o próximo nível na construção de um estado policial, simplesmente porque é inevitável que a resistência às políticas de Blair irão aumentar, com a soma das implicações da invasão falhada.

Nesta semana, o anúncio de novos e ainda mais repressivos poderes estatais, é uma clara indicação do aumento do desespero da elite dominante, justificada pelos “convenientes” acontecimentos de 7 de Julho (e daquilo que eu ainda considero como o trapalhão acidente, tentativas de imitação obviamente amadoras a 21 de Julho)

A polícia disse a Tony Blair, na última noite, que necessita de novos e arrojados poderes para combater a ameaça terrorista, incluindo o direito a deter um suspeito até três meses, sem acusação, em vez dos actuais 14 dias.

Agentes oficiais também querem poderes para atacar e fechar páginas na internet, uma nova ofensa criminal para o uso da internet na preparação de actos de terrorismo e “suprimir o uso inapropriado da internet”.

Também querem que passe a ser ofensa criminal, a recusa, pelos suspeitos, em dar à polícia, livre acesso aos seus ficheiros do computador ao recusarem-se a dar as palavras passe.

Mas que diabo é “o uso inapropriado da internet”? Assim que o estado embarca neste caminho de repressão, para fazer cumprir a sua política contra a vontade da população, está numa rua de sentido único em direcção ao fascismo, pois não há forma de recuar ou de dar meia volta. O único sentido é ainda mais repressão ou então o derrube daquilo que está efectivamente a tornar-se numa ditadura.

O terreno, representado por um modelo social democrata, de governação através de algum tipo de consentimento e compromisso, já não dá, abandonado que foi, como muito do resto da bagagem inconveniente da social democracia, tal como responder perante o povo.

E à medida que a situação fica mais polarizada pelas acções do governo, é inevitável que o “terrorismo” seja transformado em “extremismo”, aumentando assim a rede que cerca uma percentagem crescente da sociedade que se opõe ao “ordinário” fascismo de Blair. Quando formos a ver, as fontes independentes de media, como esta, serão chamadas de “extremistas”, simplesmente porque nos opomos às políticas do governo.

Na frente de todo esta campanha vem a demonização do Islão por parte do estado, que se tornou ainda mais estridente e extrema.

É por isso que eu nem concordo… que afinal, eles só nos queiram por para fora dos países Árabes, não é isso. É muito mais fundamental que isso. Eles querem uma guerra entre o Islão e outras religiões, é isso que querem. É por isso que se referem sempre a isto como, a cruzada da aliança Sionista e todo este tipo de disparates. É isso que eles querem. Querem uma situação em que nós acabemos divididos. – Tony Blair

Sendo nós, claro, os brancos, aliança Anglo-Saxónica dos EUA e do Reino Unido. Interessante, a única vez que o termo “cruzada da aliança Sionista” foi usado, foi alegadamente por Osama bin Laden em Outubro de 2004 numa gravação que foi classificada pela CIA de “confiança moderada” em ser de bin Laden. Por isso, nem temos mesmo a certeza se Osama usou realmente a frase. Para além disso, o discurso foi divulgado num desses sites fantasma, muito usados pela alegada rede terrorista da Al-Qaeda.

E nós não vamos lidar com este problema, com as raízes tão profundas como são, até confrontarmos estas pessoas, a todos os níveis. E não apenas os seus métodos, mas as suas ideias. [ênfase minha – W.Bowles] – Tony Blair

Atentem ao uso da expressão “Não apenas os seus métodos, mas as suas ideias” proclamando a natureza da relação entre os EUA e o RU, com os EUA a alterarem também a sua campanha de propaganda para a harmonizarem com a realidade da opção militar falhada. Ao não conseguir vencer a “guerra ao terrorismo”, só resta uma opção, entrar em guerra com a sua própria população, à medida que aumenta a oposição às políticas falhadas.

 

O discurso de onde foram retirados estes excertos, revela um Blair ainda mais desequilibrado, com secções do discurso a assemelharem-se a “uma corrente de raiva consciente”, repleta de todas aquelas frases sonantes, agora já usuais. Mas o mais perturbante é a forma como a realidade é distorcida, como neste exemplo:

Israel não devia existir, sim, a política externa Americana é má, sim, o que aconteceu no Iraque ou Afeganistão foi pensado para exterminar o Islão, se as pessoas aceitarem estas ideias falta só um pequeno passo para o extremismo do terrorismo.

Por outras palavras, se foram contra a política dos EUA/RU no Iraque, Afeganistão ou contra o seu apoio às políticas do governo de Israel, então estamos a curta distância do “extremismo do terrorismo”. E há ums sugestão de que a invasão foi pensada para “exterminar o Islão”, a primeira vez que Blair o diz.

Extremismo e terrorismo são agora termos equivalentes. É óbvio que aqueles de nós que se opõem às políticas governamentais estão a ser preparados para a próxima fase, a inexorável lógica da derrapagem para o fascismo.

 

Texto da autoria William Bowles, publicado a 30 de Julho de 2005 em http://williambowles.info/ini/ini-0354.html e traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 14:51

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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006

Forçando os factos a encaixar na teoria

Uma reportagem no jornal “Daily Mirror”, de 16/7/2005, com o título “Exclusivo: Terá sido suicídio ?”, tenta usar essencialmente os mesmos factos apresentados aqui mas ainda conclui serem bombistas. Há muitas questões nesta visão, especialmente à luz das últimas informações aparecidas.

Em primeiro lugar, todos compraram bilhetes de ida e volta e um bilhete de oito horas de um parque de estacionamento em Luton, por isso tinham mesmo intenção de voltar. O Mirror assegura que planeavam colocar as mochilas algures, mas foram “enganados” pelo seu “tutor”.

Os quatro tinham grandes mochilas, que seriam dificilmente deixadas numa carruagem, sem dar nas vistas. Qualquer pessoa que conheça o metro de Londres sabe que tentar esconder alguma coisa lá, não é fácil. Não há espaços por baixo de assentos, não há prateleiras para bagagens, de facto, não nenhum sítio para esconder grandes mochilas. Por isso, como é que eles pensavam deixar as suas mochilas sem chamar a atenção? Até aceito que não seja impossível mas têm grandes hipóteses de serem descobertos. E durante mais de uma década de bombas do IRA, nenhuma bomba foi colocada no metro.

A reportagem diz

A polícia e o MI5 [Serviço de Informações Secretas Britânico] estão a investigar se a Al- Qaeda teria dito aos quatro homens que tinham tempo de escapara depois de accionarem os temporizadores. Em vez disso, elas explodiram imediatamente.

Uma fonte da segurança disse: “Se os bombistas sobrevivessem e fossem apanhados, provavelmente iam-se descair. Será que quem os ordenou iria permitir isso? Não nos parece.”

Pensava que a polícia tinha descartado a hipótese dos temporizadores… Mais factos forçados a encaixar na teoria. E quem é que a polícia e o MI5 vão investigar, exactamente? O “químico”, de quem os media tanto falam? “Químico” este que se percebeu agora não ter nenhuma ligação aos atentados. Apenas é proveniente de Leeds, é Egípcio e viajou para o Egipto na altura “certa” (ver notícia da BBC, Bioquímico não tem ligação à Al-Qaeda”)

Dois dos alegados bombistas tinham esposas grávidas e, por último, todos tinham montes de identificação, carta de condução, cartões de crédito, etc… Não é exactamente a descrição de um discípulo fanático da Al-Qaeda. Até a reportagem do Mirror explica que “Os bombistas suicidas normalmente livram-se de todos os objectos identificadores”, apesar de não explicar em que se baseia para dizer isso, mas assumindo que é verdade. A reportagem do Mirror dá a volta a isto, dizendo que eles eram “dispensáveis”, citando novamente uma fonte “da segurança”.

“Quem estava por trás disto não quis perder os seus melhores operacionais numa missão suicida. Em vez disso, optaram por homens facilmente recrutáveis, pouco graduados e que devem ter acreditado que escapavam”

Tudo muito conveniente, sem dúvida, mas a ideia de que eram “pouco graduados”, introduz mais uma suposição totalmente infundada, sobre a natureza dos bombistas suicidas, nomeadamente que eles se dividem em diferentes graduações (ou será qualificações?). Ao fim e ao cabo, morto é morto. Mais uma vez, a reportagem do Mirror dá a volta, citando mais uma “fonte da segurança”.

Se os bombistas sobrevivessem e fossem apanhados, provavelmente iam-se descair. Será que quem os ordenou iria permitir isso? Não nos parece.

E, para o caso de não termos percebido bem, mais um “fonte da segurança” diz ao Mirror

Quem estava por trás disto não quis perder os seus melhores operacionais numa missão suicida. Em vez disso, optaram por homens facilmente recrutáveis, pouco graduados e que devem ter acreditado que escapavam.

Fico espantado como se consegue “facilmente recrutar” alguém que vai rebentar com pessoas aos pedaços, quer acredite ou não que vai escapar. Era preciso ser muito estúpido para se deixar enganar e pensar que até podia “escapar”, especialmente de uma carruagem de um metro subterrâneo, se de facto era esse o local planeado. Nada até agora indica que os alegados bombistas tinham uma educação abaixo do normal, parecendo mesmo relativamente bem integrados e indivíduos “normais”, de acordo com as declarações que já li.

A reportagem também se refere aos atentados de Madrid, de ano passado [2004]

Ataques terroristas semelhantes, contra transportes públicos em Madrid, no ano passado, levados a cabo por elementos que tiveram tempo de escapar e planeavam atacar novamente.

Excepto que no caso de Madrid as bombas explodiram a céu aberto, perto de comboios e autocarros, onde era fácil, para os bombistas, escapar. As bombas também eram muitíssimo maiores do que as usadas em Londres, por isso, não dá para comparar.

Outra questão a que nem a reportagem nem a polícia dão uma resposta pronta, são os 81 minutos de intervalo entre as bombas do metro e a do autocarro.

Uma explicação alternativa à da hipótese de correios de droga, é que ao encontrar a Northern Line fechada em Kings Cross, ter tomado um diferente caminho, após contactar o seu “tutor”, para seguir para o “destino” pretendido, e as bombas podiam ter sido detonadas remotamente. O meu colega Edward Teague sugeriu que as bombas podem ter sido detonadas através de Wi-Fi ou mesmo Bluetooth (apesar do limitado alcance, especialmente do Buetooth, me fazer excluir estas hipóteses). Alternativamente (e muito mais simples), pode ter havido uma falha num dos temporizadores. De acordo com uma testemunha no autocarro, que viu um homem atrapalhado com a sua mochila antes do rebentamento, o homem soltou um grande grito imediatamente antes da bomba rebentar! Talvez tenha descoberto o que realmente transportava?

 

 

E parece que agora a polícia mudou a sua história, mais uma vez, e têm a certeza absoluta que foram usados temporizadores e explosivos comerciais. Então, o que é que aconteceu ao super-carregado peróxido de acetona, para remover verniz das unhas, que supostamente foi encontrado em casa de um dos bombistas?

Quanto mais se sabe, menos verosímil parece a ideia de que estes quatro eram bombistas, quer fossem suicidas ou não. Mas ainda fica a questão de quem montou este esquema, por responder. Principalmente tendo um “padrão” que não se enquadra no de anteriores atentados, especialmente a sofisticação das bombas (bem, de acordo com a polícia).

Tendo em conta todos estes factos, parece ter sido uma operação bastante sofisticada que tem todo ar de ser uma operação patrocinada por um estado.

 

 

Texto publicado originalmente em 17 de Julho de 2005, da autoria de William Bowles, disponível em http://williambowles.info/ini/ini-0348a.html, e traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 13:59

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