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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006

Está naquela altura outra vez – de mais um ‘plano terrorista’

“Por vezes teremos de alterar algumas das nossas liberdades, a curto prazo, para poder prevenir o seu uso errado por aqueles que se opõem aos nossos valores fundamentais e destruiriam todas as nossas liberdades do mundo moderno.” – Ministro do Interior, John Reid

É realmente espantoso que ninguém veja o paradoxo de Reid a pedir a abolição do que resta dos nossos direitos civis, para os preservar, mas também não há nenhuma lógica na “guerra ao terrorismo”, é ela própria um contradição.

Quanto à noção de Reid dos “valores fundamentais”, presumimos que eles incluem a indiscriminada destruição de sociedade e da sua população e ficar a ver enquanto os seus aliados fazem o mesmo. Não apenas ficar a ver mas exortá-los a isso, pelo amor de Deus!

E também espantoso é o pedido de Reid para destruir os nossos direitos, ao mesmo tempo que acusa aqueles que, alega ele, os destruiriam.

Será mesmo demasiado impossível, admitir que pessoas que conseguem falar com tanta hipocrisia e que têm as mãos banhadas em sangue de dezenas de milhares de inocentes, pensariam duas vezes em engendrar um plano, se pensassem que isso favorecia os seus objectivos?

Sim, eu sei, eu não tenho provas para me apoiar, para além dos recentes registos históricos (e não tão recentes) e os lapsos e contradições da máquina de propaganda do estado, à medida que nos prepara para o Der Tag[N.T.1].

O problema para nós é que a palavra conspiração tem sido tão maltratada que agora apenas se usa para tolos e maluquinhos, mas o facto é que, o próprio estado é uma conspiração de uma classe sobre a outra. Com tanta coisa em jogo, não há nada, literalmente, que eles não façam para se manterem agarrados ao poder, incluindo a fabricação de provas de forma a iniciar guerras ilegais. Não me digam que a invasão e destruição do Iraque não foi o resultado de uma conspiração internacional!

Foram fabricadas provas em grande escala, foram ditas mentiras a todo e qualquer um e as mentiras foram divulgadas por uns media corporativos e estatais cúmplices. Não é preciso haver um grupo de pessoas, algures num quarto escuro, a planear esquemas. Temos a política governamental e tem lugar nos mais altos níveis do governo. É este o papel da classe política, preservar o domínio do capital, a qualquer custo.

E sim, eu sei que é difícil aceitar o facto de que o estado vá tão longe para “ajustar” as pessoas, mas os registos mostram que isso aconteceu vezes sem conta e tenham em atenção que o estado tem efectivamente recursos ilimitados e exércitos de servos leais, pagos e treinados para obedecer a ordens. Esta é a nossa realidade, quer as pessoas estejam preparadas para a aceitar, quer não.

Aparentemente, a “guerra ao terrorismo” pode durar meio século, dizem-nos, mas independentemente de quanto tempo durar esta desonesta guerra, implicará viver sob a bota do estado. Pode não usar botas militares, mas será cada vez mais impiedoso na anulação de qualquer protesto. Com o avançar do tempo, o espaço para divergências irá diminuir, diminuir e diminuir, até não sobrar nenhum.

Li algures que há uma relação estatística directa entre “alertas de terrorismo” e acontecimentos injuriosos para o estado. Deste modo, é seguro aceitar que o estado está envolvido até ao seu pescoço sujo, nesta última tentativa de assustar toda a gente.

Tentem-se recordar de anteriores “alertas de terrorismo” que deram em nada, nem mesmo uma tentativa ou uma intenção de fazer explodir alguma coisa ou alguém.

O pior que as autoridades conseguiram inventar foram “crimes de pensamento”, isto é, uns rapazes reuniram-se a dizer umas asneiras, pelo menos de acordo com as autoridades. Mas pensem nisto, temos governos que nos mentem sobre tudo o que fazem, incluindo a razão de destruírem países inteiros e exterminar incontáveis centenas de pessoas, quer directa quer indirectamente, como Israel no Líbano, por isso, porque é que é tão inacreditável que essas mesmas pessoas criem ameaças fictícias?

O momento do ultimo alerta é absolutamente crucial, aconteceu precisamente quando os estados Ocidentais estavam sobre crescente pressão para forçar Israel a parar a sua criminosa guerra, de exterminação e a situação no Iraque vai de mal a ao desastre completo, para os ocupantes.

Os planos que nunca chegaram a ser

Houve um plano com o veneno “rícino”, só que não havia rícino nenhum. Esqueçam o plano, mas foi esta a história espalhada pelos grandes meios de comunicação. Vejam as seguintes notícias sobre a verdadeira história do “plano do rícino”

‘O Caso de Kamel Bourgass – O som de uma mão a bater palmas ou uma conspiração’, www.williambowles.info/ini/ini-0327.html e,

‘Rícino: O plano que nunca chegou a ser, por Severin Carrell e Raymond Whitacker’, www.williambowles.info/spysrus/ricin_plot.html e,

‘Falso Terror – Anel de Rícino que nunca existiu’ por Duncan Campbell’, www.williambowles.info/spysrus/ricin_plot2.html

Depois, houve um “ataque com gás” no metro de Londres, outra história que não deu em nada.

Houve ainda um anúncio do exército, em Heathrow, de um informação sobre “terroristas” que estavam prestes a derrubar um avião com um míssil terra-ar. Como com todos os outros “alertas terroristas”, era só conversa.

A resposta do estado foi e é, “bem, nós conseguimos prevenir o ataque”, mas peçam-lhes provas e vão ter a resposta do costume, “desculpe, não podemos mostrar, é segredo de estado”.

Parece haver uma correlação directa entre a escala dos desastres do Império e a natureza do “alerta terrorista”, com cada desastre acompanhado por um alerta ainda maior.

Até agora, foram detidas 24 pessoas (e uma libertada, sem acusação) e 19 acusadas, com base em diversas legislações “anti-terrorismo”.

Como de costume, há alguns aspectos perturbantes desta última histeria, que contradizem as medidas draconianas que o governo tomou.

Em primeiro lugar, de acordo com o governo, este foi o plano mais perigoso desde o 11 de Setembro, com10 voos transatlânticos, alegadamente destinados a ser destruídos, e Blair informou Bush neste fim-de-semana que passou, no entanto o “alerta crítico” só foi anunciado DEPOIS das detenções e não impediu Blair de voar no SEU voo transatlântico para as Caraíbas, de férias.

E, de acordo com as autoridades Paquistanesas a 12/8/2006, um Britânico que foi detido nesta semana, “pôs a boca no trombone” sobre o alegado plano, precipitando o alerta. No entanto, a polícia britânica afirma ter o “grupo” sob vigilância há alguns meses.

Outro relato fala sobre um agente que estava infiltrado no grupo. Qual era o papel dessa pessoa? Era um agente provocador?

E se era uma tão grande ameaça à vida e à integridade física, porque é que as autoridades esperaram cinco dias até fazerem detenções?

Tal como nos anteriores “alertas terroristas”, todo o tipo de histórias são passados à imprensa, a conta gotas, especialmente pensados para semear a confusão e o medo. Tentar perceber os acontecimentos é difícil, mesmo com os famosos poderes (embora ficcionais) do Sherlock Holmes, mas é esse o objectivo dessa desinformação.

Se aparecerem falhas na história, como já apareceram, sem um explicação definitiva, é fácil para o estado, negar que tem alguma coisa a ver com a pletora de migalhas libertadas para a imprensa.

Na semana passada, o Min. do Interior, Reid, fez um discurso em Londres, no qual anunciou que enfrentamos “provavelmente o maior período continuado de ameaça severa, desde o fim da segunda guerra mundial” e acusou os oponentes da legislação anti-democrática governamental de estarem a minar a “guerra ao terrorismo”. O momento é conveniente, sem dúvida, levando alguns a suspeitar que Reid sabia muito bem dos acontecimentos que se passaram nesta semana.

E como de costume, as informações governamentais sobre os alegados terroristas, são tão vagas e dúbias que qualquer um que queira tentar perceber exactamente o que é que eles queriam fazer, não consegue.

Devo explicar que fazer explodir pessoas no metro e em aviões, não é a minha ideia de como fazer mudar as coisas, no máximo é um engano e no mínimo é patológica e aberta a manipulações, como temos visto vezes sem conta, por agentes do estado.

É interessante verificar que as últimas investigações revelam que a grande maioria dos “bombistas suicidas” não o fazem por razões de ordem religiosa. Pelo menos metade deles identifica-se como “de esquerda” (o que quer que isso significa hoje em dia).

“O facto principal é que, esmagadoramente, os ataques terroristas suicidas não são motivados pela religião mas mais por um objectivo estratégico claro: forçar as modernas democracias e retirarem forças militares de territórios que os terroristas vêem como a sua terra. Do Líbano ao Sri Lanka, à Tchetchénia, a Caxemira, à Cisjordânia, todos as grandes campanhas de terrorismo suicida – mais de 95% dos incidentes – tiveram como objectivo central, forçar a retirada de um estado democrático.” – Professor Robert Pape, autor de Morrendo para Vencer: A Lógica do Terrorismo Suicida.

Por isso, quando Bush lhes chama “Islamo-Fascistas”, percebeu tudo errado, mas no fundo é esse o objectivo de levantar o assunto dos Muçulmanos, porque evita lidar com as causas subjacentes e ao mesmo tempo esconde as questões essenciais.

Como assinala Pape (e ele não é de esquerda), a esmagadora maioria dos chamados bombistas suicidas são motivados por razões políticas e não religiosas. Deste modo, a infinita torrente de propaganda que tenta deitar a culpa em fanáticos religiosos, apenas ajuda a diabolizar aqueles que estão sentados em cima de recursos que o Ocidente necessita tão desesperadamente, bem como secções da nossa sociedade que são, em virtude da sua pele escura, e presumimos Muçulmanos, um bode expiatório mesmo à mão.

Historicamente, este tipo de campanhas de propaganda explora o racismo e xenofobia latentes, que são endémicos no imperialismo. De facto, pode-se argumentar que o racismo e o imperialismo permanecem inseparáveis, como tem sido durante séculos, para justificação ideológica dos crimes dos exploradores.

Quando pessoas e mesmo comissões de inquérito, falam de “racismo institucional”, o que realmente querem dizer é que todo o aparelho de estado é cúmplice na promoção de uma visão do mundo que considera a “civilização” Ocidental e os seus chamados valores, superiores de forma inata, simplesmente em virtude da “raça”. E, como revela a admissão ocasional, por um servo do estado, sem destruir o aparelho de estado, é impossível remover.

Estas formas de ver o mundo estão integradas em cada aspecto da sociedade, desde a educação ao sistema de justiça criminal. Até o nosso sistema público de saúde não escapa ao insidioso veneno da ideologia do racismo. As instituições psiquiátricas, tal como as prisões, estão a rebentar com um número desproporcionado de pessoas pobres e negras.

Num tal ambiente, é de admirar que os “alertas terroristas” sejam tão eficazes quando se focam nessas secções da nossa sociedade, já alienadas e oprimidas?

Notas

Quer acredite ou não, que o actual “alerta” é a sério, as evidências do envolvimento dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos em esquemas e provocações, são enormes.

‘Última Ameaça Terrorista – Mais Presciência Governamental’, Por Joel Skousen, World Affairs Brief’, 12/8/2006 http://rense.com/general73/latest.htm

‘O Plano Terrorista Britânico: Nível Dois da Surpresa de Outubro’ Hassan El-Najjar, 11/8/2006
tinyurl.com/lgwwu

O Segundo 11 de Setembro “do Pentágono”
“Outro ataque [11 de Setembro] poderia criar uma justificação e uma oportunidade para retaliar contra alguns alvos conhecidos”, por Michel Chossudovsky, 10/82006
www.globalresearch.ca/index.php?context=
viewArticle&code=CHO20060810&articleId=2942

Sete Patetas num Armazém
www.infowars.com/articles/terror/
seven_morons_in_a_warehouse.htm

Sears Tower: Governo dos EUA Cria Outra Célula da Al-Qaeda
prisonplanet.com/articles/june2006/230606searstower.htm

Canário Cozido Regorgita Plano Terrorista Reciclado
prisonplanet.com/articles/june2006/220606cookedterror.htm

‘Plano Terrorista” Canadiano Começa a Clarificar-se
prisonplanet.com/articles/june2006/060606terrorplot.htm

Raide Terrorista Inflacionado Prova Ser Um Tigre de Papel
prisonplanet.com/articles/june2006/050606terrorraid.htm

Terroristas de Toledo e Cerco Governamental
prisonplanet.com/articles/februa
ry2006/240206toledoterrorists.htm

Vinte e Três Especialistas da “Inteligência” Dizem Que o Plano Terrorista de LA era Falso
prisonplanet.com/articles/february2006/100206plotasham.htm

Bush Joga Carta Terrorista Com Um Falso Plano Terrorista em LA
prisonplanet.com/articles/february2006/100206terrorcard.htm

“Plano” do Metro de Nova Iorque: Mais Um Falso Alerta Terrorista
www.prisonplanet.com/articles/
october2005/101005faketerror.htm

VER TAMBÉM: ARQUIVO DE FALSOS ALERTAS DE TERRORISMO
www.prisonplanet.com/archive_war_on_terror.html#alerts

 

 

 

[N.T.1]. – “O Grande Dia”, em alemão.

 

 

Texto escrito originalmente por William Bowles e traduzido por Alexandre Leite. O original foi publicado em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0445.html a 12/8/2006.

publicado por Alexandre Leite às 23:09

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Domingo, 13 de Agosto de 2006

Huff-Huff! Quando morde é muito pior do que quando ladra!

Estratégias imperiais dos EUA e o chamado lóbi Judeu

 
Considerem, se assim entenderem, que os EUA, nos últimos 100 anos, têm seguido uma política que lhes permite assegurar o domínio global através da propriedade e controlo de fontes vitais de energia, e como resultado, têm dominado a economia mundial em benefício da sua própria classe capitalista. Esta política provocou inúmeras guerras e golpes de estado e mesmo, a deliberada destruição de países inteiros, através do controlo do comércio mundial e de inúmeros governos estrangeiros.

Para atingir estes objectivos, utiliza uma série de tácticas, tácticas estas que incluem assassinatos, subversão, subornos e chantagem, derrube de governos, arranjos eleitorais e ainda, as óbvias campanhas de propaganda, levadas a cabo pela imprensa corporativa, cujos interesses são, sem dúvida, idênticos aos dos que os governam. A mão cheia de corporações de comunicação/media que fazem esta guerra de palavras têm uma actividade global, permitindo passar a mesma mensagem independentemente da língua ou da localização.

Este processo é acelerado e intensificado como resultado de fusões e aquisições e pela convergência dos processos tecnológicos envolvidos. Deste modo, as corporações que detêm os meios de comunicação são as mesmas que fabricam armas e desenvolvem sistemas de vigilância e controlo social. Por outro lado, estas corporações são propriedade, por via de acções na Bolsa, de uma mão cheia de corporações globais de bancos, investimentos e seguradoras.

Liderando a alcateia estão talvez quatro ou cinco corporações gigantes da energia, onde se incluem a Exxon e a Shell, corporações que através de co-propriedade, de direcções partilhadas, estão também ligadas a grupos de corporações de armamento, como a Lockheed, Grumman, Martin-Marietta, Raytheon.

Para assegurar que esta pouco santa aliança mantenha o seu domínio e controlo, os indivíduos que fazem parte das administrações desta mão cheia de corporações, são os mesmos que ocupam posições chave em governos. De facto, é virtualmente impossível separar os dois, e tem sido assim no último século, qualquer que seja o partido político no poder. Literalmente, há uma porta aberta entre o governo e os negócios, uma relação que se estende a governos estrangeiros, como o Reino Unido e Israel.

Não é desmedido falar numa emergente classe capitalista global, mas uma liderada pelos EUA, cujos interesses transcendem os da nação-estado, apesar desta relação não ser suave nem completa, se repararmos nos interesses competitivos das potências capitalistas rivais, como a França, a Alemanha ou o Japão. Para alem disso, as tensões entre interesses nacionais e corporativos manifestam-se de forma complexa e muitas vezes contraditória. Por isso, vemos ocasionais “desacordos”, como o que houve entre a França e os EUA sobre a invasão do Iraque e mais uma vez, sobre a invasão do Líbano.

Mas acima de tudo, o espantoso poder militar e económico dos EUA garante que de uma forma ou de outra, geralmente consegue o que quer, e fá-lo através do controlo de reservas vitais de energia, e está relacionado com o controlo do circuito global de capitais, facilitado pelo dólar Norte-Americano. Afundado o barco Norte-Americano, podem ter a certeza que outros se irão afundar também, estando assim os interesses nacionais circunscritos pela realidade da necessidade de sobrevivência.

As evidências disto são esmagadoras, estando documentadas por dúzias, se não centenas de escritores e investigadores há anos, alguns dos quais têm sido citados aqui vezes sem conta. Em última análise, aqueles que se opõem a esta interpretação dos acontecimentos, ou são pessoas que ignoram os factos ou acreditam que os interesses destas corporações gangsters e os seus próprios, são idênticos, mesmo que isso implique a sua própria destruição (mas mais provavelmente a de outras pessoas).

O que me leva à questão a que eu chamo de, a hipótese da “cauda a abanar o cão”, que persiste apesar de todas as evidências em contrário. Evidências que me pediram para apresentar. Podem perguntar qual a importância do assunto para estar a voltar a ele.

Em primeiro lugar, o meu interesse não é, como dizem alguns na “esquerda”, o alegado perigo de um aumento de um anti-semitismo, como resultado das acções de Israel. Porque é que estes mesmos indivíduos não se preocupam com o papel do racismo aplicado aos nossos irmãos e irmãs de pele escura, já que se preocupam tanto com as políticas imperialistas? O uso do racismo pelos poderes imperialistas, para dividir e conquistar, e para justificar todos os massacres, é infinitamente mais importante que o alegado perigo de um aumento do anti-semitismo. Se há um aumento do anti-semitismo, é melhor resolverem a questão da existência de Israel como um estado religioso, extremista e fundamentalista, que é afinal, a causa.

Mas de muito maior importância, é o facto de, ao avançar a hipótese de uma “cabala” de Judeus controlarem a nação mais poderosa do planeta, se encobrem as verdadeiras questões. Sem dúvida que alguns dos principais capitalistas e os seus representantes no governo dos EUA se intitulam Judeus e mostram-se publicamente como aliados do estado de Israel. Afinal, os seus interesses coincidem. Mas do mesmo modo, muitos se intitulam Cristãos e, aplicando a mesma lógica, poderíamos argumentar que existe uma “cabala” de Presbiterianos (ou Anglicanos, ou Evangélicos ou Adventistas do Sétimo Dia...) a controlar a América.

Tão importante, é reconhecer o facto de que o estado Sionista de Israel é feito de colonos Europeus brancos ou seus descendentes, que têm uma visão idêntica aos seus correspondentes dos EUA e da Europa (procurem em vão por um Judeu de pele escura, Marroquino/Africano, no governo de Israel). Professarem os ensinamentos do Antigo Testamento, nem acontece cá, nem lá. Intitularem-se “O Povo Escolhido” não é diferente dos colonialistas Europeus que reclamaram o “direito” de colonizar, em virtude de serem Cristãos e “civilizados”, em oposição aos “pagãos” que escravizaram, e cujas terras e recursos roubaram. Em ambos os casos, religião e “raça”, foram usados para justificar a opressão e expropriação, com base num inventado “direito”, o de “raça” e o de religião.

Qual apareceu primeiro, o “lóbi Judeu” ou o imperialismo dos EUA? De facto, para começar, o conceito de “Terra-Mãe Judia” foi uma invenção do colonialismo Britânico. Foi criado inicialmente para assegurar a continuidade do controlo da linha vital de abastecimento das possessões coloniais britânicas na Índia e no Leste. Depois da descoberta do petróleo também foi um meio de suprimir a crescente onda de nacionalismo Árabe. O ponto fulcral desse controlo era a Palestina, que em virtude de nada mais que a sua localização geográfica, perto do Canal do Suez, foi seleccionada como a “Terra-Mãe”, pelo Lord Balfour, em 1917.

Podem ter a certeza que se os interesses do estado de Israel e os do imperialismo dos EUA divergirem (como aconteceu, por exemplo, quando a Grã-Bretanha e Israel invadiram o Egipto, em 1956, ou mais recentemente, quando Israel tentou vender armas à China), então a verdadeira relação entre os dois é revelada, a de um amo e o seu servo.

Claro que haverá alguns a argumentar que é o “lóbi Judeu” que está, de alguma forma, a forçar os EUA a financiar o estado colonial, mas eu penso que o financiamento dos EUA a Israel não é diferente do que pratica noutros estados servis, do Paquistão à Arábia Saudita. Faz isso sem interesses nacionalistas/corporativos, pois se transpirasse a ideia de que a política de Israel ia divergir, com prejuízo dos interesses dos EUA, então seguramente, tal como a noite se segue ao dia, Israel deixaria de ser o menino bonito da América corporativa, quaisquer que fossem os queixumes do “lóbi Judeu”.

Basta verem como os EUA trataram outros “aliados” que, deixando de ser úteis, foram descartados, desde Manuel Noriega no Panamá, Saddam Hussein no Iraque ou Jonas Savimbi em Angola.

O facto de Israel ser de longe o maior beneficiário da ajuda dos EUA, apenas sublinha a importância de Israel/Palestina no planeamento estratégico Norte-Americano, tal como acontecia quando a Grã-Bretanha era o líder da “alcateia” no Médio Oriente. Não deve surpreender que, tal como em 1917, o petróleo foi o ponto principal da estratégia Britânica, também hoje ainda é o petróleo, que é a razão porque Israel tem um papel tão importante no planeamento dos EUA.

Num comentário aqui, Lance Thruster pergunta-me:

“Se estou a perceber bem, Israel serve a agenda dos EUA e não é ao contrário. Se fosse esse o caso, porque é que lóbi de Israel teria tanto sucesso na punição de políticos dos EUA que não são suficientemente pro-Sionistas?”

Não tenho a certeza sobre o que quer dizer com punição, mas a classe política dos EUA não é completamente homogénea. Alguns, por exemplo Zbigniew Brzezinski, um arqui-imperialsita, argumentam que prosseguir a com a actual política NÃO defende os interesses a longo prazo, do capitalismo dos EUA. Assim, lemos:

“Estas receitas neo-conservadoras, das quais Israel tens as suas equivalentes, são fatais para a América e no final, para Israel. Elas vão virar totalmente, uma esmagadora maioria da população do Médio Oriente, contra os EUA. As lições do Iraque falam por si próprias. Eventualmente, se a políticas neo-conservadoras continuarem a ser levadas a cabo, os EUA serão expulsos da região e isso será o fim de Israel também.” - Zbigniew Brzezinski

E há outros que também vêm os perigos inerentes às actuais políticas da administração dos EUA. Infelizmente, são uma minoria. Se existir uma “cabala” a controlar a actual política externa dos EUA, será uma liderada pelo Grande Petróleo, cujos interesses parecem ultrapassar os interesses nacionais. Eu digo parecem porque o resultado da actual crise irá determinar o futuro do capitalismo Norte-Americano, e julgo que o que está a ser jogado aqui, é uma gigantesca aposta de Israel, comandado pelos EUA, na instalação de um regime subserviente no Líbano, consolidando assim o controlo Norte-Americano dos seus importantes interesses no petróleo da região. Se falharem, então, tal como diz Brzezinsk, isso ditará o fim do existente estado de Israel e dos planos dos EUA para a região.

E é óbvio que um sucesso dos EUA é também um sucesso de Israel, mas não necessariamente ao contrário. Os EUA não despejaram milhares de milhões de dólares em Israel, apenas por alguns religiosos fundamentalistas dementes nem por causa de um desejo de combater o anti-semitismo. Não se esqueçam que não foi assim há tanto tempo que os Judeus eram discriminados nos EUA, não à escala da discriminação dos negros Americanos, mas eram barrados nalguns clubes, escolas e outros locais, e o anti-semitismo ainda existe nos EUA como existe por outros lados.

Não nos esqueçamos que o financiamento de Israel pelos EUA é já vem de há décadas antes desta administração. Os que argumentam que a “cauda abana o cão” estão a dizer que desde o seu estabelecimento, o estado de Israel foi lançado e apoiado por um lóbi, o que obviamente não faz sentido.

Não apenas não faz sentido, como é um perigoso absurdo, pois serve apenas aqueles que procuram obscurecer as verdadeiras questões, ao levantar a questão da “raça” em oposição aos interesses de classe, tal como a máquina de propaganda de Israel/EUA tenta fazer crer que é a sobrevivência do estado Judeu que está em causa aqui.

Em última análise, o que estamos a assistir aqui não são os pequenos interesses sectários desta ou daquela “cabala” a serem jogados, mas sim o futuro do capitalismo dos EUA na forma que está actualmente constituído, e é por isso que eu argumento contra os “Huff-Huff” deste mundo.

 

Texto publicado por William Bowles em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0444.html  a 8/8/2006 e traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 16:41

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Domingo, 6 de Agosto de 2006

Israel: chantageando o mundo

A destruição deliberada e continuada do Líbano, por pargte de Israel, pretende forçar as potências Ocidentais a ocuparem o país, na vez de Israel/EUA.


Passei os últimos dias sem fazer (quase) nada, excepto ler, tentando tratar os acontecimentos. Em primeiro lugar, é obvio para qualquer pessoa que saiba alguma coisa sobre o Líbano e sobre o papel do Hezbollah na sociedade Libanesa, que a ideia de destruir o Hezbollah é ridícula, apesar de ser esse o objectivo declarado por Israel. Por isso, quais são os reais objectivos do massacre Isrealeita/Norte-Americano?


Para começar, Israel não está em posição de ocupar o Líbano. Nem militar nem economicamente, sendo este último aspecto mais importante. Deste modo, necessitou de criar as condições certas para que algum tipo de força de ocupação estrangeira, idealmente uma força liderada pela NATO (isto explica a oposição de Israel à ONU), seja usada.


“O Primeiro-Ministro [Olmert] disse que qualquer força internacional deve ser capaz de combater e ter como modelo a missão ”Liberdade Duradoura ”, do Afeganistão, e apelidou as forças das Nações Unidas presentes no sul do Líbano de ineficientes.” - jornal “Ha'aretz”, 3/8/2006.


Por isso, o objectivo é chantagear o mundo, ao recusar negociar um cessar-fogo, a não ser que seja usada uma “força de manutenção de paz”, efectivamente assumindo o papel de Israel/EUA. A maneira mais simples e eficaz para conseguir isto, foi destruir brutalemente o Líbano e não parar até as potências Ocidentais serem forçadas a entrar em cena. No entanto, o governo Libanês quer uma expansão da força da ONU aí existente (UNIFIL).


Sem dúvida que as elites governantes dos EUA e Israel viram as ruínas do Líbano como um degrau, a caminho do seu mais amplo objectivo de "derrotar" a Síria e o Irão, mas em que se baseia esta "política"? Pelo menos publicamente, os EUA e Israel apresentaram o Hezbollah como um agente a mando do Irão e da Síria. Apesar das relações do Hezbollah com a Síria e o Irão, a destruição do Líbano mostrou que, como arma de propaganda, ligar o Hezbollah ao Irão foi um falhanço total. De facto, teve um efeito completamente oposto.


Com forças espalhadas pelo Afeganistão e pela Ex-Jugoslávia, e com os EUA a não serem capazes de cumprir o seu papel, quer militar quer político, as chamdas negociações têm sido sobre como conseguir atingir o objectivo de Israel e EUA. Tenham em mente que há pouco mais de uma semana, tanto Israel, como os EUA, como o Reino Unido, se opunham à ideia de uma outra força ser colocada no Líbano! Como mudam as coisas!


Sem ser uma surpresa, os estados da UE estão, de alguma forma, relutantes em assumir o papel de obediência a Isreal e EUA, ainda por cima com a situação a não correr como Israel previa. O Hezbollah provou ter uma grande tenacidade e para além disso, a ferocidade e grande escala da destruição, juntou a maior parte da sociedade Libanesa em seu apoio. Esta invasão mostrou mais uma vez as profundas divisões existentes entre as potências Ocidentais sobre tácticas e estratégia.


"Mas os Franceses, que são neste momento os principais candidatos a liderar uma força internacional, estão a deixar claro que a comunidade internacional não vai terminar o trabalho de Israel, e apenas irá policiar um cessar-fogo quando este tiver sido acordado pelo governo Libanês, que inclui o Hezbollah. Por outras palavras, não irá tentar desarmar o Hezbollah a não ser que o Hezbollah tenha concordado em ser desarmado. E a única receita para que isso aconteça, com a actual situação no terreno, será um acordo entre os Libaneses para, de alguma forma, incorporarem o as forças de combate do Hezbollah no Exército Libanês - que provavelmente não é o que os EUA e muito menos Israel, tinham em mente. [ênfase minha - W.B.]" - "Quem está a ganhar a Paz no Líbano?", Time Magazine, 2/8/2006.


Sendo assim, o plano não tem conseguido, até agora, o seu objectivo, nomeadamente, a Balcanização do Líbano. Está evidente que o plano falhou pelo facto de, nos bastidores, as conversações já envolvem a Síria e o Irão, ambos opositores à ideia de uma força de ocupação da NATO. Até que ponto foi o falhanço, pode ser avaliado pelas declarações de Telavive, cujos primeiros comentários entusiasmados sobre a completa destruição do Hezbollah, foram agora substituidos pela aceitação relutante de que, destruir o Hezbollah é apenas um desejo. Para além disso, lê-se que, em vez de uma vitória militar, a guerra terá de ser "vencida" puramente no campo de batalha da propaganda.


"Israel está a tentar enquadrar a sua narrativa em volta de um objectivo menor, que é diminuir bastante a capacidade de luta do Hezbollah...Mas a questão e o desafio é enquadrar a narrativa da vitória à volta de objectivos mais ambiciosos." - Gidi Grinstein, um antigo negociador e director do Reut Institute, citado por Steven Erlanger em "A Batalha de Longo Prazo: Definindo 'Victória' antes do Mundo", jornal "New York Times", 3/8/2006.


Penso que podemos dizer seguramente que a invasão e destruição do Líbano, como parte de uma estratégia Norte-Americana de transformação do Médio Oriente, está a ser um falhanço. Não só falhou na tentativa de despoletar algum tipo de rejeição Libanesa ao Hezbollah, como também abriu a possibilidade de uma resistência regional mais ampla, aos planos dos EUA. Ainda mais importante, revelou a vulnerabilidade dos estados subservientes dos EUA, que temem agora que as políticas aventureiras dos EUA/Israel coloquem em perigo o seu próprio poder.


E, quanto mais tempo durar a destruição, maior será a raiva da população Árabe, que percebe claramente que Israel não é mais do que uma força imperialista a mando dos EUA. Para além disso, a mentira de Israel ser uma “vítima” foi desmantelada, derrota que Israel inflingiu por sobre si próprio. Não admira que os mestres da imprensa estejam a tentar encontrar uma forma de transformar uma derrota numa vitória.


Ao excederem-se a si próprios, os EUA, atráves do seu comandado Israel, conseguiram acima de tudo, forçar aqueles que se encontram na esquerda do governo Trabalhista, a tomarem posição e a serem contados (apesar de ainda faltar saber quantos vão ser). A ofensiva de Relações Públicas, que Blair efectuou a uma distância bem segura destas paragens, é testemunho dos danos que a invasão do Líbano tem feito, não apenas ao governo de Blair mas também à “guerra ao terrorismo”.





Texto de William Bowles, publicado a 3/8/2006, em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0442.html, e traduzido por Alexandre Leite.


publicado por Alexandre Leite às 20:37

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