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Domingo, 6 de Agosto de 2006

Israel: chantageando o mundo

A destruição deliberada e continuada do Líbano, por pargte de Israel, pretende forçar as potências Ocidentais a ocuparem o país, na vez de Israel/EUA.


Passei os últimos dias sem fazer (quase) nada, excepto ler, tentando tratar os acontecimentos. Em primeiro lugar, é obvio para qualquer pessoa que saiba alguma coisa sobre o Líbano e sobre o papel do Hezbollah na sociedade Libanesa, que a ideia de destruir o Hezbollah é ridícula, apesar de ser esse o objectivo declarado por Israel. Por isso, quais são os reais objectivos do massacre Isrealeita/Norte-Americano?


Para começar, Israel não está em posição de ocupar o Líbano. Nem militar nem economicamente, sendo este último aspecto mais importante. Deste modo, necessitou de criar as condições certas para que algum tipo de força de ocupação estrangeira, idealmente uma força liderada pela NATO (isto explica a oposição de Israel à ONU), seja usada.


“O Primeiro-Ministro [Olmert] disse que qualquer força internacional deve ser capaz de combater e ter como modelo a missão ”Liberdade Duradoura ”, do Afeganistão, e apelidou as forças das Nações Unidas presentes no sul do Líbano de ineficientes.” - jornal “Ha'aretz”, 3/8/2006.


Por isso, o objectivo é chantagear o mundo, ao recusar negociar um cessar-fogo, a não ser que seja usada uma “força de manutenção de paz”, efectivamente assumindo o papel de Israel/EUA. A maneira mais simples e eficaz para conseguir isto, foi destruir brutalemente o Líbano e não parar até as potências Ocidentais serem forçadas a entrar em cena. No entanto, o governo Libanês quer uma expansão da força da ONU aí existente (UNIFIL).


Sem dúvida que as elites governantes dos EUA e Israel viram as ruínas do Líbano como um degrau, a caminho do seu mais amplo objectivo de "derrotar" a Síria e o Irão, mas em que se baseia esta "política"? Pelo menos publicamente, os EUA e Israel apresentaram o Hezbollah como um agente a mando do Irão e da Síria. Apesar das relações do Hezbollah com a Síria e o Irão, a destruição do Líbano mostrou que, como arma de propaganda, ligar o Hezbollah ao Irão foi um falhanço total. De facto, teve um efeito completamente oposto.


Com forças espalhadas pelo Afeganistão e pela Ex-Jugoslávia, e com os EUA a não serem capazes de cumprir o seu papel, quer militar quer político, as chamdas negociações têm sido sobre como conseguir atingir o objectivo de Israel e EUA. Tenham em mente que há pouco mais de uma semana, tanto Israel, como os EUA, como o Reino Unido, se opunham à ideia de uma outra força ser colocada no Líbano! Como mudam as coisas!


Sem ser uma surpresa, os estados da UE estão, de alguma forma, relutantes em assumir o papel de obediência a Isreal e EUA, ainda por cima com a situação a não correr como Israel previa. O Hezbollah provou ter uma grande tenacidade e para além disso, a ferocidade e grande escala da destruição, juntou a maior parte da sociedade Libanesa em seu apoio. Esta invasão mostrou mais uma vez as profundas divisões existentes entre as potências Ocidentais sobre tácticas e estratégia.


"Mas os Franceses, que são neste momento os principais candidatos a liderar uma força internacional, estão a deixar claro que a comunidade internacional não vai terminar o trabalho de Israel, e apenas irá policiar um cessar-fogo quando este tiver sido acordado pelo governo Libanês, que inclui o Hezbollah. Por outras palavras, não irá tentar desarmar o Hezbollah a não ser que o Hezbollah tenha concordado em ser desarmado. E a única receita para que isso aconteça, com a actual situação no terreno, será um acordo entre os Libaneses para, de alguma forma, incorporarem o as forças de combate do Hezbollah no Exército Libanês - que provavelmente não é o que os EUA e muito menos Israel, tinham em mente. [ênfase minha - W.B.]" - "Quem está a ganhar a Paz no Líbano?", Time Magazine, 2/8/2006.


Sendo assim, o plano não tem conseguido, até agora, o seu objectivo, nomeadamente, a Balcanização do Líbano. Está evidente que o plano falhou pelo facto de, nos bastidores, as conversações já envolvem a Síria e o Irão, ambos opositores à ideia de uma força de ocupação da NATO. Até que ponto foi o falhanço, pode ser avaliado pelas declarações de Telavive, cujos primeiros comentários entusiasmados sobre a completa destruição do Hezbollah, foram agora substituidos pela aceitação relutante de que, destruir o Hezbollah é apenas um desejo. Para além disso, lê-se que, em vez de uma vitória militar, a guerra terá de ser "vencida" puramente no campo de batalha da propaganda.


"Israel está a tentar enquadrar a sua narrativa em volta de um objectivo menor, que é diminuir bastante a capacidade de luta do Hezbollah...Mas a questão e o desafio é enquadrar a narrativa da vitória à volta de objectivos mais ambiciosos." - Gidi Grinstein, um antigo negociador e director do Reut Institute, citado por Steven Erlanger em "A Batalha de Longo Prazo: Definindo 'Victória' antes do Mundo", jornal "New York Times", 3/8/2006.


Penso que podemos dizer seguramente que a invasão e destruição do Líbano, como parte de uma estratégia Norte-Americana de transformação do Médio Oriente, está a ser um falhanço. Não só falhou na tentativa de despoletar algum tipo de rejeição Libanesa ao Hezbollah, como também abriu a possibilidade de uma resistência regional mais ampla, aos planos dos EUA. Ainda mais importante, revelou a vulnerabilidade dos estados subservientes dos EUA, que temem agora que as políticas aventureiras dos EUA/Israel coloquem em perigo o seu próprio poder.


E, quanto mais tempo durar a destruição, maior será a raiva da população Árabe, que percebe claramente que Israel não é mais do que uma força imperialista a mando dos EUA. Para além disso, a mentira de Israel ser uma “vítima” foi desmantelada, derrota que Israel inflingiu por sobre si próprio. Não admira que os mestres da imprensa estejam a tentar encontrar uma forma de transformar uma derrota numa vitória.


Ao excederem-se a si próprios, os EUA, atráves do seu comandado Israel, conseguiram acima de tudo, forçar aqueles que se encontram na esquerda do governo Trabalhista, a tomarem posição e a serem contados (apesar de ainda faltar saber quantos vão ser). A ofensiva de Relações Públicas, que Blair efectuou a uma distância bem segura destas paragens, é testemunho dos danos que a invasão do Líbano tem feito, não apenas ao governo de Blair mas também à “guerra ao terrorismo”.





Texto de William Bowles, publicado a 3/8/2006, em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0442.html, e traduzido por Alexandre Leite.


publicado por Alexandre Leite às 20:37

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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006

Israel: Um lobo vestido com roupas de vítima

Israel: Um lobo vestido com roupas de vítima e porque é que a destruição do Líbano é um desastre estratégico para o Império

“Já era para ter terminado. A esta hora, na semana passada, os estrategas militares israelitas estavam a pedir mais 72 horas para terminar o serviço: era tudo o que precisavam, prometiam, para limpar o Hezbollah do sul do Líbano.” — Jonathan Freedland, jornal “The Guardian”, 26/7/2006.

Então vou bufar e soprar e a tua casa irá pelos ares, disse o Lobo. Bem, o Lobo está a bufar e soprar mas a casa não é feita de palha e o Hezbollah está a mostrar ser um oponente com bastante tenacidade. Claro está, que Israel tem um espantoso poder militar clássico, mas terá os meios ou o apoio político no próprio país para uma guerra prolongada?

Sem dúvida que, com tempo suficiente, o Hezbollah será afastado da fronteira mas irá reagrupar noutro lugar, e afinal, quanto tempo é que Israel tem? Tal como o Iraque, este país pode ser destruído, mas não é essa a questão. Tão bárbara destruição, longe de voltar os Libaneses contra o Hezbollah, simplesmente uniu o país contra Israel e os EUA e, importante, contra o resto do Médio Oriente, especialmente os seus líderes, por tão servil apoio aos EUA e aos Sionistas.

Reparem, como previsto, nos pedidos de Tel Aviv e de outros, de uma força liderada pela NATO para ocupar o que resta do Líbano, mas também não era precisa uma bola de cristal para adivinhar isso. Os líderes da UE, no entanto, não estão muito entusiasmados com a ideia, vendo-se a serem arrastados para o mesmo lamaçal de que a maioria deles está a tentar sair, no Iraque. Parece que as opções dos EUA são menos a cada dia que passa.

Para além do mais, quanto mais tempo durar o Blitzkrieg[N.T.1], apesar da enorme vantagem da propaganda e do apoio que teve dos media Ocidentais, Israel terá dificuldade em manter o mesmo nível de bruta destruição e não está definitivamente em posição militar e económica de ocupar todo o país. Nalguma altura o mundo real vai ultrapassar estes bárbaros, quer eles queiram quer não.

Se mais nada fez, a total brutalidade do massacre, acordou muita gente para realidade do estado Sionista, que se mostrou como é: lobos vestidos com roupas de vítima. O mito que dura há décadas, de Israel como vítima, foi finalmente desfeito, mesmo com os media Ocidentais a lutarem desesperadamente para manter vivo o já mais do que morto anti-semitismo, como uma justificação para a conquista imperial/colonial.

O outro aspecto que emergiu deste desastre fabricado pelos EUA é o papel fulcral dos media corporativos/estatais. Penso que já é altura de uma grande campanha direccionada aos media pelo seu papel criminoso de vender o massacre, pois sem a sua cobarde cumplicidade, teria sido impossível levar a cabo o Blitzkrieg.[1]

Mas não nos deixemos iludir, o Hezbollag NÃO é o grande objectivo do Blitzkrieg Nazi (perdão, Sionista). Se fosse, porquê destruir o Líbano como um estado viável? (BBC, Channel 4 e o resto dos media corporativos, tomem nota, sem bem que não vos apeteça).Por que é que Israel não se focou no Hezbollah se era ele o objectivo? Mais questões que os grandes meios de comunicação têm cuidadosamente evitado perguntar.

Porquê forçar a Síria a sair (ver actualização sobre Hariri  para mais informações da ligação de Hariri à actual situação) e depois pedir para voltar e resolver a confusão (outra vez as mesmas questões para os grande media).

No entanto, se existirem alguns aspectos positivos nesta situação, entendo que eles são os seguintes:

Longe de criar condições para um “Novo Médio Oriente” como insiste a maldita Condi [N.T.2] (o que é que lhe deu, ou será a minha incredulidade/ingenuidade que uma mulher negra possa ser tão fortemente assimilada?), o ataque ao Líbano provavelmente irá provocar mais resistência regional. Em primeiro lugar (e esperemos que sim) contra os líderes servis, dos estados Árabes, mas também, se isto é o que os Sionistas têm guardado para a Síria e o Irão, os imperialistas mostraram às pessoas de ambos os países o que os espera.

Depois, considerem a imensa máquina logística que os Lobos estão a tentar morder, uma iniciativa com que eles se irão engasgar, tal como aconteceu no Iraque. É difícil entrar no esquema mental deste animais. Estarão tão iludidos que pensam que as armas conquistam as pessoas? As armas podem matar mas nunca conquistar, é esta a lição da história, uma lição repetida vezes sem conta, mas aparentemente ainda não aprendida em Beltway ou Whitehall ou Tel Aviv quantas quer que sejam as vezes que lhes ensinam isso.

Tenham em conta que, para que o “Novo Médio Oriente” da Condi se torne uma realidade, terão de ser ocupados, durante um futuro considerável, não apenas o Iraque e o Líbano, mas também a Síria e o Irão (o objectivo final, sendo este o único país que conseguirá responder na mesma moeda). Até que ponto, exactamente, é que a Condi vê esta iniciativa a ser executada?

Muito bem, os Lobos dão à Síria o mesmo “tratamento” que deram ao Líbano. Conseguem mais pessoas realmente chateadas, e depois o quê? O Irão não é nenhum Líbano, nem a Síria, por isso, a não ser que usem bombas nucleares, e excluindo uma ocupação (com quê?), o “plano” da forma que está, é simplesmente impraticável.

Sem dúvida que os “Catastrofistas” entre vós, consideram que a ocupação não é o objectivo, a simples destruição é a “solução” mais simples. Muito bem, mas mesmo a total destruição, apenas adia o embate final. A questão resume-se a saber se os Lobos, não sendo fortes o suficiente para dominar a presa, vão preferir destruí-la?

Eu entendo que aqueles que dirigem a política externa dos EUA são, não apenas extremamente míopes, mas simplesmente incapazes de compreender como as pessoas pensam, pois eles julgam toda a gente como eles pensam.

O Blitzkrieg ao Líbano pode bem ser uma última tentativa desesperada para resgatar o que sobra do “Plano para o Médio Oriente” ou como é mais conhecido, “O Projecto Para o Novo Século Americano”. Apenas precisamos de olhar para o que os bandidos dos grandes meios de comunicação estão agora a dizer. Até os entusiastas apoiantes do Sionismo entenderam a mensagem,

 

“O resultado é que se permitiu que o conflito central alastrasse. Se tivesse sido resolvido, ou mesmo se tivesse existido um esforço sério para o resolver, a actual crise seria inimaginável. Em vez disso, ideia inspiradora de Bush, tem sido que as pessoas do Médio Oriente podem ser bombardeadas até à democracia e aterrorizadas até à moderação. Mostrou-se um dos grandes enganos fatais da sua abominável presidência – e as pessoas de Israel e Líbano estão a pagar o preço.” - “No coração da crise do Líbano estão os enganos fatais de George Bush”, Jonathan Freedland, jornal “The Guardian”, 26/7/2006.

 

Rice não tem a receita do sucesso

A secretária de estado Americana acredita num Novo Médio Oriente, mas a sua apertada focagem na segurança deixa pouco espaço para as aspirações das pessoas vulgares”, Brian Whitaker, jornal “The Guardian”, 25/7/2006.

 

“Ironicamente, ao forçar a Síria a retirar os seus militares do Líbano, no ano passado, os Estados Unidos e os seus aliados diluíram a signficativa influência directa que a Síria pudesse ter sobre o Hezbollah.” - “Por que a Síria tem muito a perder se o Hezbollah for finalmente parado”, por Neil MacFarquhar, jornal “New York Times”, 26/7/2006.

 

Eu podia continuar, mas o que fica claro é que a destruição do Líbano é um desastre estratégico de enormes dimensões. Com disse o Freedland no seu artigo no jornal “The Guardian”

Já era para ter terminado. A esta hora, na semana passada, os estrategas militares israelitas estavam a pedir mais 72 horas para terminar o serviço: era tudo o que precisavam, prometiam, para limpar o Hezbollah do sul do Líbano.

Um artigo “estratégico” no jornal NYT, contém todo o tipo de desculpas para explicar o falhanço dos Blitzkrieg, isto é, um falhanço se partirmos do princípio que o objectivo é a destruição do Hezbollah. Aí podemos ler

“No Pentágono, responsáveis estrategas militares indicam este conflito como um exemplo localizado da ampla campanha Americana contra o terrorismo global e disseram que qualquer titubear por parte de Israel poderia prejudicar os esforços dos EUA no Iraque e Afeganistão.

“O Hezbollah 'tem aspectos de uma organização terrorista sem estado, mas também domina um território – e está bastante implantado aí - e é capaz de colocar em risco a população da super-potência regional, de uma forma que, outrora, apenas militares nacionais conseguiam.' disse um oficial com experiência no Iraque, falando sob anonimato, pois não está autorizado a falar publicamente sobre isso.” - “Israel com um desafio complicado no Hezbollah”, por Steven Erlanger e Thom Shanker, jornal New York Times, 26/7/2006.“

Serve para mostrar a falta de tacto que estes bem pagos “estrategas” realmente têm. Quando a realidade se tornar mais clara, podem esperar uma corrida para a porta da saída, por parte dos “aliados” de Israel e dos EUA na região, ao verem chegar a sua hora. Já houve manifestações no Egipto e na Jordânia contra os seus governos, precisamente sobre este assunto. Pode ainda demorar, mas parece-me que o “Novo Médio Oriente” da Condi, pode vir a revelar-se o oposto do pretendido pelos Lobos.

[1]. Ver os últimos dois artigos da MediaLens: Demolindo o Líbano – Parte 1 e Demolindo o Líbano – Parte 2

 

 [N.T.1] – Nota do tradutor: Blitzkrieg era o termo alemão usado para descrever os ataques aéreos surpresa, efectuados pela força aérea nazi na Segunda Guerra Mundial.

[N.T.2]- O autor refere-se a Condoleezza Rice, secretária de estado Norte-Americana.

 

Texto publicado a 28 de Julho de 2006 em http://williambowles.info/ini/2006/0706/ini-0440.html  e traduzido para português por Alexandre Leite.

        
publicado por Alexandre Leite às 14:25

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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

EUA, (mais uma vez) fazem uma chamada às armas

"Um cessar-fogo que mantenha o status quo intacto, é absolutamente inaceitável. Um cessar-fogo que deixe intacta, alguma infra-estrutura terrorista, é inaceitável." - Tony Snow, Porta-voz da Casa Branca, 18/7/2006 (ver "O imperialismo Americano quer guerra")

 

Uma coisa parece estar clara neste momento, no que toca às acções de Israel, é serem os Estados Unidos quem manobra. Eu julgo que isto faz calar todos os indivíduos iludidos da "esquerda", que subscrevem a ideia falaciosa usualmente chamada de "a cauda a abanar o cão".

 

Que ninguém se iluda sobre quem está a manobrar os fios.

 

"Os EUA estão a dar a Israel uma janela de uma semana para infligir o máximo de danos ao Hezbollah, antes de dar o sim os apelos internacionais para um cessar-fogo no Líbano, de acordo com fontes Britânicas, Europeias e Israelitas."

 

“A administração Bush, apoiada pela Grã-Bretanha, bloqueou as tentativas de uma imediata paragem dos combates, iniciadas no Conselho de Segurança da ONU, na cimeira do G8 em S.Petersburgo e pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros Europeus.”

 

“É claro que os Americanos deram a luz verde aos Israelitas. Eles [os ataques Israelitas] serão permitidos durante talvez mais uma semana", disse ontem um oficial responsável Europeu. Fontes diplomáticas disseram que havia um claro limite temporal, parcialmente ditado pelo medo que um conflito prolongado pudesse descontrolar-se" - "Bush deu 'luz verde' a um ataque limitado, dizem fontes do Reino Unido e de Israel", jornal "The Guardian", 17/7/2006

 

Falhanço no Iraque, falhanço nos Territórios Ocupados e falhanço no Afeganistão levaram inevitavelmente à única opção que sobrava ao imperialismo Americano, a total desestabilização do Médio Oriente.

 

Os EUA, incapazes de levar isto a cabo por si próprios ou com os seus chamados aliados, deram instruções a Israel para fazer o trabalho sujo, em vez deles. Uma missão que estão demasiado dispostos a cumprir, e que falharam duas vezes.

 

Estando de fora, temos de nos questionar que motivações levaram o Hezbollah a confrontar Israel neste momento crítico. No melhor dos casos, terá sido apenas um mau planeamento, no pior, será pouco credível sugerir que o Hezbollah esteja infiltrado com agentes provocadores? No fundo, eles deram uma desculpa para atacar aos EUA e a Israel. (Isto pode não ser uma ideia assim tão rebuscada, vejam "Página da internet do Hezbollah alojada numa empresa subcontratada da defesa dos EUA?”, para saberem mais).

 

Seja como for, a criação do caos total permite aos EUA - habilmente apoiados pelos grandes meios de comunicação, um pré-requisito absoluto, se for para levar as populações internas numa histeria à volta das alegadas "infra-estruturas terroristas", para não mencionar o apoio cego dado ao estado Sionista - em primeiro lugar, destruir o obstáculo que faltava para resolver o "problema Palestiniano".

 

Isto deixa a Síria totalmente isolada e sem força suficiente para a máquina militar Israelita. Quanto tempo faltará para que ceda às exigências dos EUA ou arrisque a invasão? E quem é que vai vir a correr, ajudar a Síria? O Irão? Nem sonhem.

 

Isto explica o porquê dos EUA e Reino Unido estarem essencialmente a dizer, "continuem a bombardear até não restar mais nada do Líbano". Por que outra razão está Israel a destruir a capacidade industrial do Líbano, incluindo a produção fulcral de alimentos e medicamentos, tendo já destruído a sua infra-estrutura de transporte?

 

"Israel mudou de linha na sua campanha militar contra o Líbano na Segunda e Terça-Feira, lançando uma série ataques aéreos debilitantes contra fábricas de propriedade privada por todo o país, provocando um choque devastador a uma economia já de si paralisada por uma semana de ataques a zonas residenciais e infra-estruturas cruciais.

As instalações de produção, de pelo menos cinco empresas em sectores chave, incluindo a maior quinta de produção de leite do país, a Liban Lait, uma fábrica de produção de papel, uma firma de embalagem e uma indústria farmacêutica, foram desactivadas ou completamente destruídas. Fontes da indústria dizem que estas perdas irão afectar a economia nas próximas décadas.” -Os últimos alvos dos ataques aéreos: leite e medicamentos, por Lysandra Ohrstrom, do jornal “Daily Star”, 19/7/2006

 

Não há maneira de descrever isto como “infra-estruturas terroristas”! O objectivo é claro: reduzir o Líbano a um “estado falhado”. Sem dúvida, num curto prazo, o governo Libanês irá colapsar e será instalado um “protectorado”, como no Kosovo, que é onde a UE e a NATO podem ser usados.

 

Isto vai deixar o Hezbollah completamente isolado. Só vai faltar uma operação de “limpeza” nos Territórios Ocupados. Assim que o “problema” Palestiniano for resolvido, o foco passará a ser o Irão. Pelo menos é esta a teoria.

Nesta crise, a única coisa que pode inibir este terrível cenário, é a população da Europa e dos Estados Unidos, e parece haver pouca probabilidade de isso acontecer.

 

Ver também Israel — O mensageiro mortífero da América, por Shmuel Rosner 19/7/06

 

 

 

Texto de William Bowles, publicado a 19/7/2006 em  http://www.williambowles.info/ini/2006/0706/ini-0438.html, e traduzido por Alexandre Leite.

 

 

publicado por Alexandre Leite às 14:11

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