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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Somos os Caracóis no Declive

50 mortos na operação que ainda decorre; míssil atinge escola infantil

A ofensiva continuada das FOI [Forças de Ocupação Israelitas] no norte de Gaza, já deixou 45 (50 em toda a Faixa de Gaza) palestinianos mortos, no seu sexto dia de operação. Dos mortos, nove eram crianças, duas mulheres e um idoso. Perto de 190 ficaram feridos, incluindo 46 crianças e 45 mulheres. Um ataque aéreo das FOI atingiu as cercanias de uma escola e de um autocarro de um infantário. Para além disso, as FOI destruíram 64 casas, 11 das quais completamente, tomou outras 34 e demoliu cinco instituições públicas, duas lojas e cinco veículos. A situação humanitária em Beit Hanoun deteriorou-se devido à falta de bens alimentares, electricidade, água e medicação, bem como pelo estado danificado das infraestruturais da localidade. Às 7:05 da manhã de hoje, segunda-feira 6 de Novembro de 2006, as FOI dispararam um míssil que atingiu um grupo de crianças perto de uma escola em Beit Lahia, perto de Beit Hanoun.” — “Al Mezan”, 6 de Novembro de 2006

Forças israelitas matam pessoal médico voluntário e bloqueiam acesso a hospitais em Gaza

A deteriorada situação humanitária na Faixa de Gaza, particularmente no Norte de Gaza, resultante da continuada operação militar israelita que já vai no quinto dia, exige uma intervenção imediata por parte da comunidade internacional, de forma a assegurar a protecção da população civil e a colocar um fim às agressões de Israel a civis e equipas médicas. As forças de ocupação israelitas atacaram deliberadamente civis desarmados bem como ambulâncias do Crescente Vermelho Palestiniano e equipas médicas. A 3 de Novembro de 2006, as forças israelitas atingiram e mataram dois membros de equipas médicas do Crescente Vermelho, quando estes tentavam evacuar uma vítima, morta por disparos israelitas na zona de Beit Lahia. Ao mesmo tempo, o Hospital de Beit Hanoun continua cercado por tanques israelitas e veículos blindados, que não permitem que as equipas médicas e as vítimas possam aceder ao hospital.” – “Sociedade Palestiniana do Crescente Vermelho”, 5 de Novembro de 2006

 

Apenas duas histórias das muitas que passam por mim todos os dias, mas onde é que está a indignação dos media Ocidentais? Claramente, os árabes são “unter mensh” juntamente com o resto dos habitantes do mundo que nos rodeia, no que concerne ao Ocidente.

 

Bem, eu poderia continuar numa interminável série de invocações do tipo de pesadelos infligidos nas pessoas do Médio Oriente, alegadamente sob o manto da “guerra ao terrorismo”. A realidade, é claro, é que somos nós, no Ocidente, que estamos a fazer uma guerra de terror em cima deles.

 

Eu sei que já disse antes que há uns anos atrás li uma novela soviética ficcionada chamada “Snail on the Slope” [Caracol no Declive], dos irmãos Arkady e Boris Strugatsky. A história é sobre um planeta que é colonizado por um país não muito diferente da antiga União Soviética.

 

O planeta consistia numa enorme floresta sentimental que se opunha fortemente a ser cortada pelos colonizadores, na sua tentativa de a “terraplanar”, e ela naturalmente deu luta. De qualquer forma, os colonizadores deram consigo a defender enclaves solidamente fortificados, brutalmente expulsos da floresta.

 

Um homem tentou persuadir os responsáveis de que estavam a travar uma luta que iriam perder, a não ser que destruíssem a floresta, o que significava efectivamente destruir o planeta. Obviamente que os líderes decidiram exilar o objector e continuaram a sua política de subjugação. E claro que a ideia de que a floresta pudesse estar viva e pensar como um organismo único, estava simplesmente para além da compreensão das “autoridades”.

 

Percebi a alegoria na altura mas parece-me que hoje em dia, “Snail on the Slope” ainda se aplica mais aos habitantes do chamado mundo desenvolvido, desesperadamente agarrados àquilo a que nos convenceram que eram os nossos direitos; os nossos enclaves de consumo e passar por cima do que resta à nossa volta, independentemente das consequências.

 

Entretanto, a conhecida (nem tanto) história de horrores infligidos no povo do Líbano pelo estado de Israel, não tem praticamente nenhuma cobertura mediática. Mas uma história da BBC World Service, transmitida na madrugada de 7 de Novembro de 2006 dá-nos uma dica sobre a mentalidade do estado sionista. De forma pouco surpreendente, esta é uma história que a BBC não irá transmitir nas notícias da televisão ou rádio regulares, com medo de ofender os seus donos.

 

Um reservista anónimo das Forças de “Defesa” de Israel (FDI) que não se conseguiu calar mais, revelou que ao fim de cinco dias de massacre, os lançadores de rockets sob o seu comando, dispararam 1800 bombas de fragmentação no sul do Líbano. Cada bomba de fragmentação contém 664 “bombinhas” e cerca de 40% delas não detonaram, totalizando 1,2 milhões destes diabólicos mecanismos. Assim, os campos e vilas do sul do Líbano estão conspurcados com cerca de meio milhão destas armas assassinas fornecidas pelos EUA, e estão a matar uma média de 4 pessoas por dia, que circulam pelos seus campos e vilas.

 

Alegadamente apontadas a unidades do Hezbollah, elas transformaram milhares de hectares de território libanês em áreas onde não se pode ir, que era a óbvia intenção. Como explicou o soldado das FDI, os rockets Katushya do Hezbollah são lançados ao ombro (não é mais do que um tubo de metal) e por isso, segundos depois de ter disparado, o soldado do Hezbollah muda de sítio, e assim só por mero acaso é que as bombas de fragmentação de Israel atingiriam o alegado alvo. E temos de presumir que estes terão sido apenas uma fracção do total disparado no Líbano.

 

Mas vejamos, em plena luz do dia, Israel lançou um ataque assassino sobre as pessoas do Líbano usando armas com a mais horrenda destruição. Um ataque apontado não ao Hezbollah mas à generalidade da população e às infraestruturas cruciais necessárias no dia a dia. No entanto, nós no chamado mundo desenvolvido, deixámo-nos estar e não fizemos nada.

 

Para além dos “suspeitos do costume”, não houve nenhum grito de revolta de cidadãos desta nossa nação “civilizada”. Deixámo-nos ficar e vimos o “nosso” governo condenar o crime de Israel contra a Humanidade não fazendo nada, excepto balbuciar piedosos lamentos. Já há no entanto, um precedente histórico, quando a força aérea de Hitler destruiu Guernica durante a Guerra Civil Espanhola, e a Grã-Bretanha e resto do Ocidente declararam neutralidade e deixaram-se estar não fazendo nada excepto balbuciar as mesmas frases vazias.

 

Mas será suficiente dizer que a razão por que fazemos pouco ou nada acerca das actividades das nossas elites políticas assassinas, é por não estarmos informados ou estarmos a ser mal informados, ou há aqui algo de mais fundamental a ter em conta nesta questão?

 

Seremos equivalentes ao Caracol no Declive, tentando agarrarmo-nos àquilo que julgamos serem as nossas vantagens, mesmo destruindo a própria base delas, tal como os colonizadores destruíram a floresta que sustentava a vida? Não podemos dizer que não sabemos nem vemos o que se está a passar. Não temos desculpa para a nossa inacção excepto talvez o simples facto de não considerarmos, como nação, as vidas de outros como verdadeiramente humanas, tão corrosiva e penetrante é a ideologia racista do sistema imperialista.

 

Mas ao mesmo tempo também parece que muitos milhões de nós estão profundamente infelizes e insatisfeitos com a vida mesmo que consigamos consumir montanhas de porcaria que nem precisamos nem podemos realmente pagar. Mas estes restos de plástico isolam-nos da realidade das nossas acções, adiando o inevitável. Pior, deixam a factura para as gerações futuras pagarem (presumindo, claro, que vai cá estar alguém para pagar).

 

Então o que é que temos aqui? Em primeiro lugar, revela o absoluto e completo falhanço do chamado sistema democrático, quando vemos o comportamento infame dos “nossos” deputados Trabalhistas de apoio às políticas genocidas do governo de Blair, que se importaram mais com o seu engrandecimento pessoal do que com princípios, quando só doze dos trinta e oito deputados Trabalhistas que tinham anteriormente assinado petições exigindo um inquérito sobre a invasão do Iraque, votaram realmente a favor do inquérito. O resto apoiou Tony Blair.

 

E a cada dia que passa, mais relatos aparecem, detalhando a destruição existente e a prevista daquilo que era o nosso belo planeta azul/verde. Quanto tempo ainda temos, não é claro, até pode já ser tarde. No entanto uma coisa é óbvia para mim, é altura de escolher de que lado estamos. Já não temos outra escolha, e que irónico isto é, dado que nos têm convencido que a grande vantagem do capitalismo é a ilimitada “escolha”, mas a que custo?

 

Por muito que me custe dizer isto, parece cada vez mais que a mudança apenas acontecerá quando o sistema como um todo colapsar, quando já não puder suportar o nosso extravagante modo de vida.

 

Não seria tão mau se o colapso se confinasse ao mundo desenvolvido, mas claro que isso não acontecerá. As economias dos países em desenvolvimento foram tão pervertidas pelas nossas necessidades que também elas pagarão os custos do nosso comportamento egoísta.

 

Então porque é que os elementos progressistas do nosso mundo não responderam à crise com que nos confrontamos?

 

Será porque o seu próprio mundo de privilégio é igualmente ameaçado, e se assim é, o que é que isso nos diz sobre o caminho que temos seguido nestas décadas?

 

Vale a pena considerar, por exemplo, que um país como Cuba, que é considerado como pobre, e consegue apesar de tudo produzir médicos e professores suficientes para suprir as suas necessidades e ainda tem a capacidade de os enviar a vários países, em todo o mundo. Também transformou completamente a sua agricultura para ser totalmente orgânica e livre de pesticidas. A sua riqueza está obviamente noutra coisa que não os bens materiais. Sim, tem problemas (muitos causados pelo embargo dos EUA), mas não estamos a falar sobre a utopia.

 

É obvio que é altura dos socialistas reordenarem completamente as suas prioridades. Não chega falar sobre o socialismo mas sim ter em consideração de que tipo de socialismo é que estamos a falar, e isto antes que seja tarde demais para ainda termos o luxo de podermos escolher.

 

Se, como parece provável, é necessária uma completa reordenação de prioridades, e isto é algo inevitável, e também é obvio que o capitalismo não apenas se recusa mas é ainda por cima incapaz de tomar as medidas necessárias, então tem de ser claro que qualquer programa socialista tem de conter a seu tempo, a completa reestruturação das nossas infraestruturais industriais, agrícolas e de transporte.

 

Para além disso, eu acredito que as sementes para tal mudança já estão presentes, apesar de actualmente limitadas a secções mais abastadas e com maiores habilitações da sociedade.

 

Desabituar a nossa actual geração do seu vício dos automóveis e produtos de consumo, não é uma tarefa fácil, mas podem ter a certeza que eles não terão outra escolha.

 

Um papel importante na transformação pode ser tido por aqueles que dedicaram as suas vidas ao estudo dos efeitos do capitalismo no planeta, bem como por aqueles que estão lentamente a acordar para a realidade destrutiva do capitalismo na nossa saúde física e mental. Os grandes meios de comunicação falam sobre estas consequências mas evitam a causa óbvia, de facto eles fazem tudo para evitar a clara ligação ao capitalismo. [1]

 

Não é possível escapar ao facto de que o nosso actual “estilo de vida” é insustentável. Ou agimos agora ou deixamos que o caos o faça por nós, ou seremos os proverbiais caracóis num declive?

 

 

Nota

1. Ver especialmente:
Climate Change– “Welcome to Mars (or North Korea)!” The Great Media Silence on Causes and Solutions’, 31 de Janeiro, 2006.

Cheerleading the Climate Criminals – Part 1’, 1 de Setembro, 2005.

Cheerleading the Climate Criminals – Part 2’, 2 de Setembro, 2005.

SILENCE IS GREEN The Green Movement And The Corporate Mass Media’, 3 de Fevereiro, 2005

 

 

Texto de William Bowles publicado a 9 de Novembro de 2006 em http://williambowles.info/ini/2006/1106/ini-0461.html. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 20:17

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Domingo, 13 de Agosto de 2006

Huff-Huff! Quando morde é muito pior do que quando ladra!

Estratégias imperiais dos EUA e o chamado lóbi Judeu

 
Considerem, se assim entenderem, que os EUA, nos últimos 100 anos, têm seguido uma política que lhes permite assegurar o domínio global através da propriedade e controlo de fontes vitais de energia, e como resultado, têm dominado a economia mundial em benefício da sua própria classe capitalista. Esta política provocou inúmeras guerras e golpes de estado e mesmo, a deliberada destruição de países inteiros, através do controlo do comércio mundial e de inúmeros governos estrangeiros.

Para atingir estes objectivos, utiliza uma série de tácticas, tácticas estas que incluem assassinatos, subversão, subornos e chantagem, derrube de governos, arranjos eleitorais e ainda, as óbvias campanhas de propaganda, levadas a cabo pela imprensa corporativa, cujos interesses são, sem dúvida, idênticos aos dos que os governam. A mão cheia de corporações de comunicação/media que fazem esta guerra de palavras têm uma actividade global, permitindo passar a mesma mensagem independentemente da língua ou da localização.

Este processo é acelerado e intensificado como resultado de fusões e aquisições e pela convergência dos processos tecnológicos envolvidos. Deste modo, as corporações que detêm os meios de comunicação são as mesmas que fabricam armas e desenvolvem sistemas de vigilância e controlo social. Por outro lado, estas corporações são propriedade, por via de acções na Bolsa, de uma mão cheia de corporações globais de bancos, investimentos e seguradoras.

Liderando a alcateia estão talvez quatro ou cinco corporações gigantes da energia, onde se incluem a Exxon e a Shell, corporações que através de co-propriedade, de direcções partilhadas, estão também ligadas a grupos de corporações de armamento, como a Lockheed, Grumman, Martin-Marietta, Raytheon.

Para assegurar que esta pouco santa aliança mantenha o seu domínio e controlo, os indivíduos que fazem parte das administrações desta mão cheia de corporações, são os mesmos que ocupam posições chave em governos. De facto, é virtualmente impossível separar os dois, e tem sido assim no último século, qualquer que seja o partido político no poder. Literalmente, há uma porta aberta entre o governo e os negócios, uma relação que se estende a governos estrangeiros, como o Reino Unido e Israel.

Não é desmedido falar numa emergente classe capitalista global, mas uma liderada pelos EUA, cujos interesses transcendem os da nação-estado, apesar desta relação não ser suave nem completa, se repararmos nos interesses competitivos das potências capitalistas rivais, como a França, a Alemanha ou o Japão. Para alem disso, as tensões entre interesses nacionais e corporativos manifestam-se de forma complexa e muitas vezes contraditória. Por isso, vemos ocasionais “desacordos”, como o que houve entre a França e os EUA sobre a invasão do Iraque e mais uma vez, sobre a invasão do Líbano.

Mas acima de tudo, o espantoso poder militar e económico dos EUA garante que de uma forma ou de outra, geralmente consegue o que quer, e fá-lo através do controlo de reservas vitais de energia, e está relacionado com o controlo do circuito global de capitais, facilitado pelo dólar Norte-Americano. Afundado o barco Norte-Americano, podem ter a certeza que outros se irão afundar também, estando assim os interesses nacionais circunscritos pela realidade da necessidade de sobrevivência.

As evidências disto são esmagadoras, estando documentadas por dúzias, se não centenas de escritores e investigadores há anos, alguns dos quais têm sido citados aqui vezes sem conta. Em última análise, aqueles que se opõem a esta interpretação dos acontecimentos, ou são pessoas que ignoram os factos ou acreditam que os interesses destas corporações gangsters e os seus próprios, são idênticos, mesmo que isso implique a sua própria destruição (mas mais provavelmente a de outras pessoas).

O que me leva à questão a que eu chamo de, a hipótese da “cauda a abanar o cão”, que persiste apesar de todas as evidências em contrário. Evidências que me pediram para apresentar. Podem perguntar qual a importância do assunto para estar a voltar a ele.

Em primeiro lugar, o meu interesse não é, como dizem alguns na “esquerda”, o alegado perigo de um aumento de um anti-semitismo, como resultado das acções de Israel. Porque é que estes mesmos indivíduos não se preocupam com o papel do racismo aplicado aos nossos irmãos e irmãs de pele escura, já que se preocupam tanto com as políticas imperialistas? O uso do racismo pelos poderes imperialistas, para dividir e conquistar, e para justificar todos os massacres, é infinitamente mais importante que o alegado perigo de um aumento do anti-semitismo. Se há um aumento do anti-semitismo, é melhor resolverem a questão da existência de Israel como um estado religioso, extremista e fundamentalista, que é afinal, a causa.

Mas de muito maior importância, é o facto de, ao avançar a hipótese de uma “cabala” de Judeus controlarem a nação mais poderosa do planeta, se encobrem as verdadeiras questões. Sem dúvida que alguns dos principais capitalistas e os seus representantes no governo dos EUA se intitulam Judeus e mostram-se publicamente como aliados do estado de Israel. Afinal, os seus interesses coincidem. Mas do mesmo modo, muitos se intitulam Cristãos e, aplicando a mesma lógica, poderíamos argumentar que existe uma “cabala” de Presbiterianos (ou Anglicanos, ou Evangélicos ou Adventistas do Sétimo Dia...) a controlar a América.

Tão importante, é reconhecer o facto de que o estado Sionista de Israel é feito de colonos Europeus brancos ou seus descendentes, que têm uma visão idêntica aos seus correspondentes dos EUA e da Europa (procurem em vão por um Judeu de pele escura, Marroquino/Africano, no governo de Israel). Professarem os ensinamentos do Antigo Testamento, nem acontece cá, nem lá. Intitularem-se “O Povo Escolhido” não é diferente dos colonialistas Europeus que reclamaram o “direito” de colonizar, em virtude de serem Cristãos e “civilizados”, em oposição aos “pagãos” que escravizaram, e cujas terras e recursos roubaram. Em ambos os casos, religião e “raça”, foram usados para justificar a opressão e expropriação, com base num inventado “direito”, o de “raça” e o de religião.

Qual apareceu primeiro, o “lóbi Judeu” ou o imperialismo dos EUA? De facto, para começar, o conceito de “Terra-Mãe Judia” foi uma invenção do colonialismo Britânico. Foi criado inicialmente para assegurar a continuidade do controlo da linha vital de abastecimento das possessões coloniais britânicas na Índia e no Leste. Depois da descoberta do petróleo também foi um meio de suprimir a crescente onda de nacionalismo Árabe. O ponto fulcral desse controlo era a Palestina, que em virtude de nada mais que a sua localização geográfica, perto do Canal do Suez, foi seleccionada como a “Terra-Mãe”, pelo Lord Balfour, em 1917.

Podem ter a certeza que se os interesses do estado de Israel e os do imperialismo dos EUA divergirem (como aconteceu, por exemplo, quando a Grã-Bretanha e Israel invadiram o Egipto, em 1956, ou mais recentemente, quando Israel tentou vender armas à China), então a verdadeira relação entre os dois é revelada, a de um amo e o seu servo.

Claro que haverá alguns a argumentar que é o “lóbi Judeu” que está, de alguma forma, a forçar os EUA a financiar o estado colonial, mas eu penso que o financiamento dos EUA a Israel não é diferente do que pratica noutros estados servis, do Paquistão à Arábia Saudita. Faz isso sem interesses nacionalistas/corporativos, pois se transpirasse a ideia de que a política de Israel ia divergir, com prejuízo dos interesses dos EUA, então seguramente, tal como a noite se segue ao dia, Israel deixaria de ser o menino bonito da América corporativa, quaisquer que fossem os queixumes do “lóbi Judeu”.

Basta verem como os EUA trataram outros “aliados” que, deixando de ser úteis, foram descartados, desde Manuel Noriega no Panamá, Saddam Hussein no Iraque ou Jonas Savimbi em Angola.

O facto de Israel ser de longe o maior beneficiário da ajuda dos EUA, apenas sublinha a importância de Israel/Palestina no planeamento estratégico Norte-Americano, tal como acontecia quando a Grã-Bretanha era o líder da “alcateia” no Médio Oriente. Não deve surpreender que, tal como em 1917, o petróleo foi o ponto principal da estratégia Britânica, também hoje ainda é o petróleo, que é a razão porque Israel tem um papel tão importante no planeamento dos EUA.

Num comentário aqui, Lance Thruster pergunta-me:

“Se estou a perceber bem, Israel serve a agenda dos EUA e não é ao contrário. Se fosse esse o caso, porque é que lóbi de Israel teria tanto sucesso na punição de políticos dos EUA que não são suficientemente pro-Sionistas?”

Não tenho a certeza sobre o que quer dizer com punição, mas a classe política dos EUA não é completamente homogénea. Alguns, por exemplo Zbigniew Brzezinski, um arqui-imperialsita, argumentam que prosseguir a com a actual política NÃO defende os interesses a longo prazo, do capitalismo dos EUA. Assim, lemos:

“Estas receitas neo-conservadoras, das quais Israel tens as suas equivalentes, são fatais para a América e no final, para Israel. Elas vão virar totalmente, uma esmagadora maioria da população do Médio Oriente, contra os EUA. As lições do Iraque falam por si próprias. Eventualmente, se a políticas neo-conservadoras continuarem a ser levadas a cabo, os EUA serão expulsos da região e isso será o fim de Israel também.” - Zbigniew Brzezinski

E há outros que também vêm os perigos inerentes às actuais políticas da administração dos EUA. Infelizmente, são uma minoria. Se existir uma “cabala” a controlar a actual política externa dos EUA, será uma liderada pelo Grande Petróleo, cujos interesses parecem ultrapassar os interesses nacionais. Eu digo parecem porque o resultado da actual crise irá determinar o futuro do capitalismo Norte-Americano, e julgo que o que está a ser jogado aqui, é uma gigantesca aposta de Israel, comandado pelos EUA, na instalação de um regime subserviente no Líbano, consolidando assim o controlo Norte-Americano dos seus importantes interesses no petróleo da região. Se falharem, então, tal como diz Brzezinsk, isso ditará o fim do existente estado de Israel e dos planos dos EUA para a região.

E é óbvio que um sucesso dos EUA é também um sucesso de Israel, mas não necessariamente ao contrário. Os EUA não despejaram milhares de milhões de dólares em Israel, apenas por alguns religiosos fundamentalistas dementes nem por causa de um desejo de combater o anti-semitismo. Não se esqueçam que não foi assim há tanto tempo que os Judeus eram discriminados nos EUA, não à escala da discriminação dos negros Americanos, mas eram barrados nalguns clubes, escolas e outros locais, e o anti-semitismo ainda existe nos EUA como existe por outros lados.

Não nos esqueçamos que o financiamento de Israel pelos EUA é já vem de há décadas antes desta administração. Os que argumentam que a “cauda abana o cão” estão a dizer que desde o seu estabelecimento, o estado de Israel foi lançado e apoiado por um lóbi, o que obviamente não faz sentido.

Não apenas não faz sentido, como é um perigoso absurdo, pois serve apenas aqueles que procuram obscurecer as verdadeiras questões, ao levantar a questão da “raça” em oposição aos interesses de classe, tal como a máquina de propaganda de Israel/EUA tenta fazer crer que é a sobrevivência do estado Judeu que está em causa aqui.

Em última análise, o que estamos a assistir aqui não são os pequenos interesses sectários desta ou daquela “cabala” a serem jogados, mas sim o futuro do capitalismo dos EUA na forma que está actualmente constituído, e é por isso que eu argumento contra os “Huff-Huff” deste mundo.

 

Texto publicado por William Bowles em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0444.html  a 8/8/2006 e traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 16:41

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Domingo, 6 de Agosto de 2006

Israel: chantageando o mundo

A destruição deliberada e continuada do Líbano, por pargte de Israel, pretende forçar as potências Ocidentais a ocuparem o país, na vez de Israel/EUA.


Passei os últimos dias sem fazer (quase) nada, excepto ler, tentando tratar os acontecimentos. Em primeiro lugar, é obvio para qualquer pessoa que saiba alguma coisa sobre o Líbano e sobre o papel do Hezbollah na sociedade Libanesa, que a ideia de destruir o Hezbollah é ridícula, apesar de ser esse o objectivo declarado por Israel. Por isso, quais são os reais objectivos do massacre Isrealeita/Norte-Americano?


Para começar, Israel não está em posição de ocupar o Líbano. Nem militar nem economicamente, sendo este último aspecto mais importante. Deste modo, necessitou de criar as condições certas para que algum tipo de força de ocupação estrangeira, idealmente uma força liderada pela NATO (isto explica a oposição de Israel à ONU), seja usada.


“O Primeiro-Ministro [Olmert] disse que qualquer força internacional deve ser capaz de combater e ter como modelo a missão ”Liberdade Duradoura ”, do Afeganistão, e apelidou as forças das Nações Unidas presentes no sul do Líbano de ineficientes.” - jornal “Ha'aretz”, 3/8/2006.


Por isso, o objectivo é chantagear o mundo, ao recusar negociar um cessar-fogo, a não ser que seja usada uma “força de manutenção de paz”, efectivamente assumindo o papel de Israel/EUA. A maneira mais simples e eficaz para conseguir isto, foi destruir brutalemente o Líbano e não parar até as potências Ocidentais serem forçadas a entrar em cena. No entanto, o governo Libanês quer uma expansão da força da ONU aí existente (UNIFIL).


Sem dúvida que as elites governantes dos EUA e Israel viram as ruínas do Líbano como um degrau, a caminho do seu mais amplo objectivo de "derrotar" a Síria e o Irão, mas em que se baseia esta "política"? Pelo menos publicamente, os EUA e Israel apresentaram o Hezbollah como um agente a mando do Irão e da Síria. Apesar das relações do Hezbollah com a Síria e o Irão, a destruição do Líbano mostrou que, como arma de propaganda, ligar o Hezbollah ao Irão foi um falhanço total. De facto, teve um efeito completamente oposto.


Com forças espalhadas pelo Afeganistão e pela Ex-Jugoslávia, e com os EUA a não serem capazes de cumprir o seu papel, quer militar quer político, as chamdas negociações têm sido sobre como conseguir atingir o objectivo de Israel e EUA. Tenham em mente que há pouco mais de uma semana, tanto Israel, como os EUA, como o Reino Unido, se opunham à ideia de uma outra força ser colocada no Líbano! Como mudam as coisas!


Sem ser uma surpresa, os estados da UE estão, de alguma forma, relutantes em assumir o papel de obediência a Isreal e EUA, ainda por cima com a situação a não correr como Israel previa. O Hezbollah provou ter uma grande tenacidade e para além disso, a ferocidade e grande escala da destruição, juntou a maior parte da sociedade Libanesa em seu apoio. Esta invasão mostrou mais uma vez as profundas divisões existentes entre as potências Ocidentais sobre tácticas e estratégia.


"Mas os Franceses, que são neste momento os principais candidatos a liderar uma força internacional, estão a deixar claro que a comunidade internacional não vai terminar o trabalho de Israel, e apenas irá policiar um cessar-fogo quando este tiver sido acordado pelo governo Libanês, que inclui o Hezbollah. Por outras palavras, não irá tentar desarmar o Hezbollah a não ser que o Hezbollah tenha concordado em ser desarmado. E a única receita para que isso aconteça, com a actual situação no terreno, será um acordo entre os Libaneses para, de alguma forma, incorporarem o as forças de combate do Hezbollah no Exército Libanês - que provavelmente não é o que os EUA e muito menos Israel, tinham em mente. [ênfase minha - W.B.]" - "Quem está a ganhar a Paz no Líbano?", Time Magazine, 2/8/2006.


Sendo assim, o plano não tem conseguido, até agora, o seu objectivo, nomeadamente, a Balcanização do Líbano. Está evidente que o plano falhou pelo facto de, nos bastidores, as conversações já envolvem a Síria e o Irão, ambos opositores à ideia de uma força de ocupação da NATO. Até que ponto foi o falhanço, pode ser avaliado pelas declarações de Telavive, cujos primeiros comentários entusiasmados sobre a completa destruição do Hezbollah, foram agora substituidos pela aceitação relutante de que, destruir o Hezbollah é apenas um desejo. Para além disso, lê-se que, em vez de uma vitória militar, a guerra terá de ser "vencida" puramente no campo de batalha da propaganda.


"Israel está a tentar enquadrar a sua narrativa em volta de um objectivo menor, que é diminuir bastante a capacidade de luta do Hezbollah...Mas a questão e o desafio é enquadrar a narrativa da vitória à volta de objectivos mais ambiciosos." - Gidi Grinstein, um antigo negociador e director do Reut Institute, citado por Steven Erlanger em "A Batalha de Longo Prazo: Definindo 'Victória' antes do Mundo", jornal "New York Times", 3/8/2006.


Penso que podemos dizer seguramente que a invasão e destruição do Líbano, como parte de uma estratégia Norte-Americana de transformação do Médio Oriente, está a ser um falhanço. Não só falhou na tentativa de despoletar algum tipo de rejeição Libanesa ao Hezbollah, como também abriu a possibilidade de uma resistência regional mais ampla, aos planos dos EUA. Ainda mais importante, revelou a vulnerabilidade dos estados subservientes dos EUA, que temem agora que as políticas aventureiras dos EUA/Israel coloquem em perigo o seu próprio poder.


E, quanto mais tempo durar a destruição, maior será a raiva da população Árabe, que percebe claramente que Israel não é mais do que uma força imperialista a mando dos EUA. Para além disso, a mentira de Israel ser uma “vítima” foi desmantelada, derrota que Israel inflingiu por sobre si próprio. Não admira que os mestres da imprensa estejam a tentar encontrar uma forma de transformar uma derrota numa vitória.


Ao excederem-se a si próprios, os EUA, atráves do seu comandado Israel, conseguiram acima de tudo, forçar aqueles que se encontram na esquerda do governo Trabalhista, a tomarem posição e a serem contados (apesar de ainda faltar saber quantos vão ser). A ofensiva de Relações Públicas, que Blair efectuou a uma distância bem segura destas paragens, é testemunho dos danos que a invasão do Líbano tem feito, não apenas ao governo de Blair mas também à “guerra ao terrorismo”.





Texto de William Bowles, publicado a 3/8/2006, em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0442.html, e traduzido por Alexandre Leite.


publicado por Alexandre Leite às 20:37

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