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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Somos os Caracóis no Declive

50 mortos na operação que ainda decorre; míssil atinge escola infantil

A ofensiva continuada das FOI [Forças de Ocupação Israelitas] no norte de Gaza, já deixou 45 (50 em toda a Faixa de Gaza) palestinianos mortos, no seu sexto dia de operação. Dos mortos, nove eram crianças, duas mulheres e um idoso. Perto de 190 ficaram feridos, incluindo 46 crianças e 45 mulheres. Um ataque aéreo das FOI atingiu as cercanias de uma escola e de um autocarro de um infantário. Para além disso, as FOI destruíram 64 casas, 11 das quais completamente, tomou outras 34 e demoliu cinco instituições públicas, duas lojas e cinco veículos. A situação humanitária em Beit Hanoun deteriorou-se devido à falta de bens alimentares, electricidade, água e medicação, bem como pelo estado danificado das infraestruturais da localidade. Às 7:05 da manhã de hoje, segunda-feira 6 de Novembro de 2006, as FOI dispararam um míssil que atingiu um grupo de crianças perto de uma escola em Beit Lahia, perto de Beit Hanoun.” — “Al Mezan”, 6 de Novembro de 2006

Forças israelitas matam pessoal médico voluntário e bloqueiam acesso a hospitais em Gaza

A deteriorada situação humanitária na Faixa de Gaza, particularmente no Norte de Gaza, resultante da continuada operação militar israelita que já vai no quinto dia, exige uma intervenção imediata por parte da comunidade internacional, de forma a assegurar a protecção da população civil e a colocar um fim às agressões de Israel a civis e equipas médicas. As forças de ocupação israelitas atacaram deliberadamente civis desarmados bem como ambulâncias do Crescente Vermelho Palestiniano e equipas médicas. A 3 de Novembro de 2006, as forças israelitas atingiram e mataram dois membros de equipas médicas do Crescente Vermelho, quando estes tentavam evacuar uma vítima, morta por disparos israelitas na zona de Beit Lahia. Ao mesmo tempo, o Hospital de Beit Hanoun continua cercado por tanques israelitas e veículos blindados, que não permitem que as equipas médicas e as vítimas possam aceder ao hospital.” – “Sociedade Palestiniana do Crescente Vermelho”, 5 de Novembro de 2006

 

Apenas duas histórias das muitas que passam por mim todos os dias, mas onde é que está a indignação dos media Ocidentais? Claramente, os árabes são “unter mensh” juntamente com o resto dos habitantes do mundo que nos rodeia, no que concerne ao Ocidente.

 

Bem, eu poderia continuar numa interminável série de invocações do tipo de pesadelos infligidos nas pessoas do Médio Oriente, alegadamente sob o manto da “guerra ao terrorismo”. A realidade, é claro, é que somos nós, no Ocidente, que estamos a fazer uma guerra de terror em cima deles.

 

Eu sei que já disse antes que há uns anos atrás li uma novela soviética ficcionada chamada “Snail on the Slope” [Caracol no Declive], dos irmãos Arkady e Boris Strugatsky. A história é sobre um planeta que é colonizado por um país não muito diferente da antiga União Soviética.

 

O planeta consistia numa enorme floresta sentimental que se opunha fortemente a ser cortada pelos colonizadores, na sua tentativa de a “terraplanar”, e ela naturalmente deu luta. De qualquer forma, os colonizadores deram consigo a defender enclaves solidamente fortificados, brutalmente expulsos da floresta.

 

Um homem tentou persuadir os responsáveis de que estavam a travar uma luta que iriam perder, a não ser que destruíssem a floresta, o que significava efectivamente destruir o planeta. Obviamente que os líderes decidiram exilar o objector e continuaram a sua política de subjugação. E claro que a ideia de que a floresta pudesse estar viva e pensar como um organismo único, estava simplesmente para além da compreensão das “autoridades”.

 

Percebi a alegoria na altura mas parece-me que hoje em dia, “Snail on the Slope” ainda se aplica mais aos habitantes do chamado mundo desenvolvido, desesperadamente agarrados àquilo a que nos convenceram que eram os nossos direitos; os nossos enclaves de consumo e passar por cima do que resta à nossa volta, independentemente das consequências.

 

Entretanto, a conhecida (nem tanto) história de horrores infligidos no povo do Líbano pelo estado de Israel, não tem praticamente nenhuma cobertura mediática. Mas uma história da BBC World Service, transmitida na madrugada de 7 de Novembro de 2006 dá-nos uma dica sobre a mentalidade do estado sionista. De forma pouco surpreendente, esta é uma história que a BBC não irá transmitir nas notícias da televisão ou rádio regulares, com medo de ofender os seus donos.

 

Um reservista anónimo das Forças de “Defesa” de Israel (FDI) que não se conseguiu calar mais, revelou que ao fim de cinco dias de massacre, os lançadores de rockets sob o seu comando, dispararam 1800 bombas de fragmentação no sul do Líbano. Cada bomba de fragmentação contém 664 “bombinhas” e cerca de 40% delas não detonaram, totalizando 1,2 milhões destes diabólicos mecanismos. Assim, os campos e vilas do sul do Líbano estão conspurcados com cerca de meio milhão destas armas assassinas fornecidas pelos EUA, e estão a matar uma média de 4 pessoas por dia, que circulam pelos seus campos e vilas.

 

Alegadamente apontadas a unidades do Hezbollah, elas transformaram milhares de hectares de território libanês em áreas onde não se pode ir, que era a óbvia intenção. Como explicou o soldado das FDI, os rockets Katushya do Hezbollah são lançados ao ombro (não é mais do que um tubo de metal) e por isso, segundos depois de ter disparado, o soldado do Hezbollah muda de sítio, e assim só por mero acaso é que as bombas de fragmentação de Israel atingiriam o alegado alvo. E temos de presumir que estes terão sido apenas uma fracção do total disparado no Líbano.

 

Mas vejamos, em plena luz do dia, Israel lançou um ataque assassino sobre as pessoas do Líbano usando armas com a mais horrenda destruição. Um ataque apontado não ao Hezbollah mas à generalidade da população e às infraestruturas cruciais necessárias no dia a dia. No entanto, nós no chamado mundo desenvolvido, deixámo-nos estar e não fizemos nada.

 

Para além dos “suspeitos do costume”, não houve nenhum grito de revolta de cidadãos desta nossa nação “civilizada”. Deixámo-nos ficar e vimos o “nosso” governo condenar o crime de Israel contra a Humanidade não fazendo nada, excepto balbuciar piedosos lamentos. Já há no entanto, um precedente histórico, quando a força aérea de Hitler destruiu Guernica durante a Guerra Civil Espanhola, e a Grã-Bretanha e resto do Ocidente declararam neutralidade e deixaram-se estar não fazendo nada excepto balbuciar as mesmas frases vazias.

 

Mas será suficiente dizer que a razão por que fazemos pouco ou nada acerca das actividades das nossas elites políticas assassinas, é por não estarmos informados ou estarmos a ser mal informados, ou há aqui algo de mais fundamental a ter em conta nesta questão?

 

Seremos equivalentes ao Caracol no Declive, tentando agarrarmo-nos àquilo que julgamos serem as nossas vantagens, mesmo destruindo a própria base delas, tal como os colonizadores destruíram a floresta que sustentava a vida? Não podemos dizer que não sabemos nem vemos o que se está a passar. Não temos desculpa para a nossa inacção excepto talvez o simples facto de não considerarmos, como nação, as vidas de outros como verdadeiramente humanas, tão corrosiva e penetrante é a ideologia racista do sistema imperialista.

 

Mas ao mesmo tempo também parece que muitos milhões de nós estão profundamente infelizes e insatisfeitos com a vida mesmo que consigamos consumir montanhas de porcaria que nem precisamos nem podemos realmente pagar. Mas estes restos de plástico isolam-nos da realidade das nossas acções, adiando o inevitável. Pior, deixam a factura para as gerações futuras pagarem (presumindo, claro, que vai cá estar alguém para pagar).

 

Então o que é que temos aqui? Em primeiro lugar, revela o absoluto e completo falhanço do chamado sistema democrático, quando vemos o comportamento infame dos “nossos” deputados Trabalhistas de apoio às políticas genocidas do governo de Blair, que se importaram mais com o seu engrandecimento pessoal do que com princípios, quando só doze dos trinta e oito deputados Trabalhistas que tinham anteriormente assinado petições exigindo um inquérito sobre a invasão do Iraque, votaram realmente a favor do inquérito. O resto apoiou Tony Blair.

 

E a cada dia que passa, mais relatos aparecem, detalhando a destruição existente e a prevista daquilo que era o nosso belo planeta azul/verde. Quanto tempo ainda temos, não é claro, até pode já ser tarde. No entanto uma coisa é óbvia para mim, é altura de escolher de que lado estamos. Já não temos outra escolha, e que irónico isto é, dado que nos têm convencido que a grande vantagem do capitalismo é a ilimitada “escolha”, mas a que custo?

 

Por muito que me custe dizer isto, parece cada vez mais que a mudança apenas acontecerá quando o sistema como um todo colapsar, quando já não puder suportar o nosso extravagante modo de vida.

 

Não seria tão mau se o colapso se confinasse ao mundo desenvolvido, mas claro que isso não acontecerá. As economias dos países em desenvolvimento foram tão pervertidas pelas nossas necessidades que também elas pagarão os custos do nosso comportamento egoísta.

 

Então porque é que os elementos progressistas do nosso mundo não responderam à crise com que nos confrontamos?

 

Será porque o seu próprio mundo de privilégio é igualmente ameaçado, e se assim é, o que é que isso nos diz sobre o caminho que temos seguido nestas décadas?

 

Vale a pena considerar, por exemplo, que um país como Cuba, que é considerado como pobre, e consegue apesar de tudo produzir médicos e professores suficientes para suprir as suas necessidades e ainda tem a capacidade de os enviar a vários países, em todo o mundo. Também transformou completamente a sua agricultura para ser totalmente orgânica e livre de pesticidas. A sua riqueza está obviamente noutra coisa que não os bens materiais. Sim, tem problemas (muitos causados pelo embargo dos EUA), mas não estamos a falar sobre a utopia.

 

É obvio que é altura dos socialistas reordenarem completamente as suas prioridades. Não chega falar sobre o socialismo mas sim ter em consideração de que tipo de socialismo é que estamos a falar, e isto antes que seja tarde demais para ainda termos o luxo de podermos escolher.

 

Se, como parece provável, é necessária uma completa reordenação de prioridades, e isto é algo inevitável, e também é obvio que o capitalismo não apenas se recusa mas é ainda por cima incapaz de tomar as medidas necessárias, então tem de ser claro que qualquer programa socialista tem de conter a seu tempo, a completa reestruturação das nossas infraestruturais industriais, agrícolas e de transporte.

 

Para além disso, eu acredito que as sementes para tal mudança já estão presentes, apesar de actualmente limitadas a secções mais abastadas e com maiores habilitações da sociedade.

 

Desabituar a nossa actual geração do seu vício dos automóveis e produtos de consumo, não é uma tarefa fácil, mas podem ter a certeza que eles não terão outra escolha.

 

Um papel importante na transformação pode ser tido por aqueles que dedicaram as suas vidas ao estudo dos efeitos do capitalismo no planeta, bem como por aqueles que estão lentamente a acordar para a realidade destrutiva do capitalismo na nossa saúde física e mental. Os grandes meios de comunicação falam sobre estas consequências mas evitam a causa óbvia, de facto eles fazem tudo para evitar a clara ligação ao capitalismo. [1]

 

Não é possível escapar ao facto de que o nosso actual “estilo de vida” é insustentável. Ou agimos agora ou deixamos que o caos o faça por nós, ou seremos os proverbiais caracóis num declive?

 

 

Nota

1. Ver especialmente:
Climate Change– “Welcome to Mars (or North Korea)!” The Great Media Silence on Causes and Solutions’, 31 de Janeiro, 2006.

Cheerleading the Climate Criminals – Part 1’, 1 de Setembro, 2005.

Cheerleading the Climate Criminals – Part 2’, 2 de Setembro, 2005.

SILENCE IS GREEN The Green Movement And The Corporate Mass Media’, 3 de Fevereiro, 2005

 

 

Texto de William Bowles publicado a 9 de Novembro de 2006 em http://williambowles.info/ini/2006/1106/ini-0461.html. Traduzido por Alexandre Leite.

publicado por Alexandre Leite às 20:17

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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006

Está naquela altura outra vez – de mais um ‘plano terrorista’

“Por vezes teremos de alterar algumas das nossas liberdades, a curto prazo, para poder prevenir o seu uso errado por aqueles que se opõem aos nossos valores fundamentais e destruiriam todas as nossas liberdades do mundo moderno.” – Ministro do Interior, John Reid

É realmente espantoso que ninguém veja o paradoxo de Reid a pedir a abolição do que resta dos nossos direitos civis, para os preservar, mas também não há nenhuma lógica na “guerra ao terrorismo”, é ela própria um contradição.

Quanto à noção de Reid dos “valores fundamentais”, presumimos que eles incluem a indiscriminada destruição de sociedade e da sua população e ficar a ver enquanto os seus aliados fazem o mesmo. Não apenas ficar a ver mas exortá-los a isso, pelo amor de Deus!

E também espantoso é o pedido de Reid para destruir os nossos direitos, ao mesmo tempo que acusa aqueles que, alega ele, os destruiriam.

Será mesmo demasiado impossível, admitir que pessoas que conseguem falar com tanta hipocrisia e que têm as mãos banhadas em sangue de dezenas de milhares de inocentes, pensariam duas vezes em engendrar um plano, se pensassem que isso favorecia os seus objectivos?

Sim, eu sei, eu não tenho provas para me apoiar, para além dos recentes registos históricos (e não tão recentes) e os lapsos e contradições da máquina de propaganda do estado, à medida que nos prepara para o Der Tag[N.T.1].

O problema para nós é que a palavra conspiração tem sido tão maltratada que agora apenas se usa para tolos e maluquinhos, mas o facto é que, o próprio estado é uma conspiração de uma classe sobre a outra. Com tanta coisa em jogo, não há nada, literalmente, que eles não façam para se manterem agarrados ao poder, incluindo a fabricação de provas de forma a iniciar guerras ilegais. Não me digam que a invasão e destruição do Iraque não foi o resultado de uma conspiração internacional!

Foram fabricadas provas em grande escala, foram ditas mentiras a todo e qualquer um e as mentiras foram divulgadas por uns media corporativos e estatais cúmplices. Não é preciso haver um grupo de pessoas, algures num quarto escuro, a planear esquemas. Temos a política governamental e tem lugar nos mais altos níveis do governo. É este o papel da classe política, preservar o domínio do capital, a qualquer custo.

E sim, eu sei que é difícil aceitar o facto de que o estado vá tão longe para “ajustar” as pessoas, mas os registos mostram que isso aconteceu vezes sem conta e tenham em atenção que o estado tem efectivamente recursos ilimitados e exércitos de servos leais, pagos e treinados para obedecer a ordens. Esta é a nossa realidade, quer as pessoas estejam preparadas para a aceitar, quer não.

Aparentemente, a “guerra ao terrorismo” pode durar meio século, dizem-nos, mas independentemente de quanto tempo durar esta desonesta guerra, implicará viver sob a bota do estado. Pode não usar botas militares, mas será cada vez mais impiedoso na anulação de qualquer protesto. Com o avançar do tempo, o espaço para divergências irá diminuir, diminuir e diminuir, até não sobrar nenhum.

Li algures que há uma relação estatística directa entre “alertas de terrorismo” e acontecimentos injuriosos para o estado. Deste modo, é seguro aceitar que o estado está envolvido até ao seu pescoço sujo, nesta última tentativa de assustar toda a gente.

Tentem-se recordar de anteriores “alertas de terrorismo” que deram em nada, nem mesmo uma tentativa ou uma intenção de fazer explodir alguma coisa ou alguém.

O pior que as autoridades conseguiram inventar foram “crimes de pensamento”, isto é, uns rapazes reuniram-se a dizer umas asneiras, pelo menos de acordo com as autoridades. Mas pensem nisto, temos governos que nos mentem sobre tudo o que fazem, incluindo a razão de destruírem países inteiros e exterminar incontáveis centenas de pessoas, quer directa quer indirectamente, como Israel no Líbano, por isso, porque é que é tão inacreditável que essas mesmas pessoas criem ameaças fictícias?

O momento do ultimo alerta é absolutamente crucial, aconteceu precisamente quando os estados Ocidentais estavam sobre crescente pressão para forçar Israel a parar a sua criminosa guerra, de exterminação e a situação no Iraque vai de mal a ao desastre completo, para os ocupantes.

Os planos que nunca chegaram a ser

Houve um plano com o veneno “rícino”, só que não havia rícino nenhum. Esqueçam o plano, mas foi esta a história espalhada pelos grandes meios de comunicação. Vejam as seguintes notícias sobre a verdadeira história do “plano do rícino”

‘O Caso de Kamel Bourgass – O som de uma mão a bater palmas ou uma conspiração’, www.williambowles.info/ini/ini-0327.html e,

‘Rícino: O plano que nunca chegou a ser, por Severin Carrell e Raymond Whitacker’, www.williambowles.info/spysrus/ricin_plot.html e,

‘Falso Terror – Anel de Rícino que nunca existiu’ por Duncan Campbell’, www.williambowles.info/spysrus/ricin_plot2.html

Depois, houve um “ataque com gás” no metro de Londres, outra história que não deu em nada.

Houve ainda um anúncio do exército, em Heathrow, de um informação sobre “terroristas” que estavam prestes a derrubar um avião com um míssil terra-ar. Como com todos os outros “alertas terroristas”, era só conversa.

A resposta do estado foi e é, “bem, nós conseguimos prevenir o ataque”, mas peçam-lhes provas e vão ter a resposta do costume, “desculpe, não podemos mostrar, é segredo de estado”.

Parece haver uma correlação directa entre a escala dos desastres do Império e a natureza do “alerta terrorista”, com cada desastre acompanhado por um alerta ainda maior.

Até agora, foram detidas 24 pessoas (e uma libertada, sem acusação) e 19 acusadas, com base em diversas legislações “anti-terrorismo”.

Como de costume, há alguns aspectos perturbantes desta última histeria, que contradizem as medidas draconianas que o governo tomou.

Em primeiro lugar, de acordo com o governo, este foi o plano mais perigoso desde o 11 de Setembro, com10 voos transatlânticos, alegadamente destinados a ser destruídos, e Blair informou Bush neste fim-de-semana que passou, no entanto o “alerta crítico” só foi anunciado DEPOIS das detenções e não impediu Blair de voar no SEU voo transatlântico para as Caraíbas, de férias.

E, de acordo com as autoridades Paquistanesas a 12/8/2006, um Britânico que foi detido nesta semana, “pôs a boca no trombone” sobre o alegado plano, precipitando o alerta. No entanto, a polícia britânica afirma ter o “grupo” sob vigilância há alguns meses.

Outro relato fala sobre um agente que estava infiltrado no grupo. Qual era o papel dessa pessoa? Era um agente provocador?

E se era uma tão grande ameaça à vida e à integridade física, porque é que as autoridades esperaram cinco dias até fazerem detenções?

Tal como nos anteriores “alertas terroristas”, todo o tipo de histórias são passados à imprensa, a conta gotas, especialmente pensados para semear a confusão e o medo. Tentar perceber os acontecimentos é difícil, mesmo com os famosos poderes (embora ficcionais) do Sherlock Holmes, mas é esse o objectivo dessa desinformação.

Se aparecerem falhas na história, como já apareceram, sem um explicação definitiva, é fácil para o estado, negar que tem alguma coisa a ver com a pletora de migalhas libertadas para a imprensa.

Na semana passada, o Min. do Interior, Reid, fez um discurso em Londres, no qual anunciou que enfrentamos “provavelmente o maior período continuado de ameaça severa, desde o fim da segunda guerra mundial” e acusou os oponentes da legislação anti-democrática governamental de estarem a minar a “guerra ao terrorismo”. O momento é conveniente, sem dúvida, levando alguns a suspeitar que Reid sabia muito bem dos acontecimentos que se passaram nesta semana.

E como de costume, as informações governamentais sobre os alegados terroristas, são tão vagas e dúbias que qualquer um que queira tentar perceber exactamente o que é que eles queriam fazer, não consegue.

Devo explicar que fazer explodir pessoas no metro e em aviões, não é a minha ideia de como fazer mudar as coisas, no máximo é um engano e no mínimo é patológica e aberta a manipulações, como temos visto vezes sem conta, por agentes do estado.

É interessante verificar que as últimas investigações revelam que a grande maioria dos “bombistas suicidas” não o fazem por razões de ordem religiosa. Pelo menos metade deles identifica-se como “de esquerda” (o que quer que isso significa hoje em dia).

“O facto principal é que, esmagadoramente, os ataques terroristas suicidas não são motivados pela religião mas mais por um objectivo estratégico claro: forçar as modernas democracias e retirarem forças militares de territórios que os terroristas vêem como a sua terra. Do Líbano ao Sri Lanka, à Tchetchénia, a Caxemira, à Cisjordânia, todos as grandes campanhas de terrorismo suicida – mais de 95% dos incidentes – tiveram como objectivo central, forçar a retirada de um estado democrático.” – Professor Robert Pape, autor de Morrendo para Vencer: A Lógica do Terrorismo Suicida.

Por isso, quando Bush lhes chama “Islamo-Fascistas”, percebeu tudo errado, mas no fundo é esse o objectivo de levantar o assunto dos Muçulmanos, porque evita lidar com as causas subjacentes e ao mesmo tempo esconde as questões essenciais.

Como assinala Pape (e ele não é de esquerda), a esmagadora maioria dos chamados bombistas suicidas são motivados por razões políticas e não religiosas. Deste modo, a infinita torrente de propaganda que tenta deitar a culpa em fanáticos religiosos, apenas ajuda a diabolizar aqueles que estão sentados em cima de recursos que o Ocidente necessita tão desesperadamente, bem como secções da nossa sociedade que são, em virtude da sua pele escura, e presumimos Muçulmanos, um bode expiatório mesmo à mão.

Historicamente, este tipo de campanhas de propaganda explora o racismo e xenofobia latentes, que são endémicos no imperialismo. De facto, pode-se argumentar que o racismo e o imperialismo permanecem inseparáveis, como tem sido durante séculos, para justificação ideológica dos crimes dos exploradores.

Quando pessoas e mesmo comissões de inquérito, falam de “racismo institucional”, o que realmente querem dizer é que todo o aparelho de estado é cúmplice na promoção de uma visão do mundo que considera a “civilização” Ocidental e os seus chamados valores, superiores de forma inata, simplesmente em virtude da “raça”. E, como revela a admissão ocasional, por um servo do estado, sem destruir o aparelho de estado, é impossível remover.

Estas formas de ver o mundo estão integradas em cada aspecto da sociedade, desde a educação ao sistema de justiça criminal. Até o nosso sistema público de saúde não escapa ao insidioso veneno da ideologia do racismo. As instituições psiquiátricas, tal como as prisões, estão a rebentar com um número desproporcionado de pessoas pobres e negras.

Num tal ambiente, é de admirar que os “alertas terroristas” sejam tão eficazes quando se focam nessas secções da nossa sociedade, já alienadas e oprimidas?

Notas

Quer acredite ou não, que o actual “alerta” é a sério, as evidências do envolvimento dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos em esquemas e provocações, são enormes.

‘Última Ameaça Terrorista – Mais Presciência Governamental’, Por Joel Skousen, World Affairs Brief’, 12/8/2006 http://rense.com/general73/latest.htm

‘O Plano Terrorista Britânico: Nível Dois da Surpresa de Outubro’ Hassan El-Najjar, 11/8/2006
tinyurl.com/lgwwu

O Segundo 11 de Setembro “do Pentágono”
“Outro ataque [11 de Setembro] poderia criar uma justificação e uma oportunidade para retaliar contra alguns alvos conhecidos”, por Michel Chossudovsky, 10/82006
www.globalresearch.ca/index.php?context=
viewArticle&code=CHO20060810&articleId=2942

Sete Patetas num Armazém
www.infowars.com/articles/terror/
seven_morons_in_a_warehouse.htm

Sears Tower: Governo dos EUA Cria Outra Célula da Al-Qaeda
prisonplanet.com/articles/june2006/230606searstower.htm

Canário Cozido Regorgita Plano Terrorista Reciclado
prisonplanet.com/articles/june2006/220606cookedterror.htm

‘Plano Terrorista” Canadiano Começa a Clarificar-se
prisonplanet.com/articles/june2006/060606terrorplot.htm

Raide Terrorista Inflacionado Prova Ser Um Tigre de Papel
prisonplanet.com/articles/june2006/050606terrorraid.htm

Terroristas de Toledo e Cerco Governamental
prisonplanet.com/articles/februa
ry2006/240206toledoterrorists.htm

Vinte e Três Especialistas da “Inteligência” Dizem Que o Plano Terrorista de LA era Falso
prisonplanet.com/articles/february2006/100206plotasham.htm

Bush Joga Carta Terrorista Com Um Falso Plano Terrorista em LA
prisonplanet.com/articles/february2006/100206terrorcard.htm

“Plano” do Metro de Nova Iorque: Mais Um Falso Alerta Terrorista
www.prisonplanet.com/articles/
october2005/101005faketerror.htm

VER TAMBÉM: ARQUIVO DE FALSOS ALERTAS DE TERRORISMO
www.prisonplanet.com/archive_war_on_terror.html#alerts

 

 

 

[N.T.1]. – “O Grande Dia”, em alemão.

 

 

Texto escrito originalmente por William Bowles e traduzido por Alexandre Leite. O original foi publicado em http://williambowles.info/ini/2006/0806/ini-0445.html a 12/8/2006.

publicado por Alexandre Leite às 23:09

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